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Agronegócio

A criação de ovinos e caprinos cresce no Brasil em 2025

Redação BDN
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Foto: Reprodução

A criação de ovinos e caprinos no Brasil continuou crescendo em 2025, com destaque para a Região Nordeste, que lidera o rebanho nacional. Segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos (CIM) da Embrapa, o Brasil possui 22,31 milhões de ovinos e 13,52 milhões de caprinos.

De acordo com o boletim nº 33 do CIM, elaborado pelo pesquisador Klinger Magalhães, a ovinocultura cresceu 1,55% e a caprinocultura aumentou 1,2% em relação a 2024. Em números absolutos, foram incluídos 341.253 ovinos e 158.352 caprinos no rebanho.

Região Nordeste se destaca

A maior parte dos rebanhos está concentrada no Nordeste, responsável por 96,6% do total de caprinos no país, com 13,07 milhões de animais. Foi a única região com crescimento na caprinocultura entre 2024 e 2025, com aumento de 1,4%. O Sudeste e o Sul somam cerca de 133 mil cabeças cada, cerca de 1% do total nacional cada um. Na ovinocultura, o Nordeste possui 16,9 milhões de ovinos, representando 75,8% do rebanho nacional, com crescimento de 4,4% sobre 2024.

O Sul é o segundo maior polo na criação de ovinos, com 3,49 milhões de cabeças, embora tenha registrado uma queda de 8,6%. Centro-Oeste manteve estabilidade no rebanho ovino e as regiões Norte e Sudeste apresentaram redução.

Oportunidades e desafios para o setor

O boletim destaca oportunidades no crescimento da demanda por produtos derivados, como leite, queijo, iogurte e carnes mais magras. As regiões Sul e Sudeste podem ampliar a oferta de carne caprina em restaurantes de alto padrão, especialmente em festas tradicionais. Produtores de estados como Paraíba, Pernambuco e Piauí têm avançado na especialização e organização coletiva para aproveitar esses mercados.

Entretanto, o setor enfrenta desafios como aumento nos custos de ração, medicamentos, combustíveis e perdas por predadores e furtos. Além disso, projeções climáticas indicam risco de evento El Niño intenso entre 2026 e 2027, o que pode afetar a disponibilidade de água e alimentos para os rebanhos.

A Embrapa recomenda que os produtores adotem práticas de manejo para minimizar os impactos da seca, como uso de plantas resistentes, armazenagem de silagem, uso de barragens subterrâneas e planejamento forrageiro. Também é importante o descarte planejado de animais menos produtivos para manter o equilíbrio do rebanho.

Principais estados e municípios produtores

A Bahia lidera a criação de ovinos e caprinos, com 5,99 milhões de ovinos e 4,69 milhões de caprinos. Pernambuco ocupa o segundo lugar e o Piauí é terceiro maior produtor de caprinos. Juntos, esses três estados reúnem 74,4% do rebanho caprino no país.

No município de Casa Nova, Bahia, está o maior polo municipal para criação de caprinos e ovinos, com 810,2 mil caprinos e 713,5 mil ovinos. Outras cidades como Juazeiro, Curaçá, Floresta, Petrolina e Remanso também se destacam no Vale do São Francisco e no sertão nordestino.

Enquanto municípios do Nordeste fortalecem a atividade integrando criação, feiras, turismo e gastronomia, alguns polos tradicionais do Sul perdem espaço, como Sant’Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, que caiu de segundo para oitavo lugar na criação de ovinos.

Para Klinger Magalhães, o crescimento da criação de ovinos e caprinos mostra potencial, mas o desenvolvimento sustentável depende de avanços em produtividade, organização dos produtores, acesso ao mercado e preparação frente aos desafios climáticos.

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