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Brasil

Áudio revela plano para colar adesivos em ônibus durante eleição em Salvador

Redação BDN
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Foto: Bruno Concha/ Secom PMS

Um áudio atribuído ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, revela um esquema organizado pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) para colocar adesivos em ônibus da capital baiana no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25/10).

A gravação, divulgada na quinta-feira (29/10), detalha a divisão de tarefas entre os envolvidos e a orientação para adesivar apenas os ônibus que sairiam das garagens. A informação surge em meio a problemas no transporte público de Salvador no dia da votação, quando muitos ônibus ficaram retidos nas garagens e a frota disponível foi reduzida.

Segundo a legislação eleitoral, é proibida a divulgação de propaganda eleitoral em veículos automotores que prestam serviços públicos, como os ônibus urbanos. Essa proibição está prevista na Resolução nº 22.303/2006, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No áudio, o homem pede que a CTB assuma a responsabilidade pelas ações nas garagens e fala em uma mobilização considerada “crucial”. Ele organiza os participantes, associando nomes e apelidos a unidades operacionais e garagens específicas (G2, G5 e G6), indicandot os responsáveis pela distribuição dos materiais.

Devido à quantidade limitada de adesivos, ele orienta que sejam adesivados somente os ônibus que realmente sairiam para circular no dia. Além disso, indica colocar somente um adesivo por veículo, próximo ao lado do passageiro e sem atrapalhar a visão do motorista.

O Sindicato dos Rodoviários de Salvador publicou nota rejeitando qualquer responsabilidade pela retenção dos ônibus no dia da eleição e atribui sua atuação à defesa dos trabalhadores, direitos democráticos e transparência. A entidade também rejeitou acusações infundadas e pediu apuração séria dos fatos, sem esclarecer diretamente a gravação ou o papel de Fábio Primo.

Na manhã do domingo da votação, moradores relataram dificuldades para chegar aos locais de votação devido à falta de ônibus nas ruas. A Prefeitura afirmou que o planejamento da operação foi semelhante ao realizado no primeiro turno, enquanto a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) disse que a propaganda eleitoral nos coletivos interferiu na operação e solicitou a remoção dos adesivos.

O prefeito Bruno Reis afirmou que sindicalistas foram responsáveis pela colocação dos adesivos, o que atrasou a saída dos ônibus. Após, a gestão municipal determinou a liberação dos veículos, mesmo que com adesivos, para minimizar transtornos.

A Justiça Eleitoral interveio, com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, ordenando a retomada total da frota e a prisão em flagrante do secretário de Mobilidade, Pablo Souza, que foi revogada após o encerramento da votação.

O TRE-BA encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para investigação de possíveis crimes eleitorais relacionados à redução da frota, além de exigir que Prefeitura, Semob e concessionárias apresentassem documentos sobre o planejamento e a operação no dia da votação.

Na quinta-feira (29/10), o governo do estado da Bahia informou que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e o Procon enviaram denúncias às autoridades sobre possíveis irregularidades no transporte público durante o segundo turno.

Relatório do Procon mostrou que 944 ônibus estavam parados nas garagens das concessionárias na data da votação. O órgão afirmou que não havia equipes de plantão e que a maioria dos ônibus fiscalizados não tinha adesivos eleitorais.

A PGE protocolou notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF), pedindo investigação sobre a responsabilidade do prefeito Bruno Reis, do secretário Pablo Souza e de sócios das concessionárias. O Procon encaminhou seu relatório à Polícia Federal, ao Ministério Público Eleitoral, ao TRE-BA e à Polícia Civil.

A apuração dos fatos segue em andamento pelas autoridades competentes.

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