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Brasil

Áudio revela plano para colocar adesivos em ônibus durante eleição em Salvador

Redação BDN
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3 min de leitura
Foto: Bruno Concha/ Secom PMS

Um áudio atribuído ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, revela um plano envolvendo membros da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) para colocar adesivos em ônibus da cidade durante o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25/10).

A legislação eleitoral, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Resolução nº 22.303/2006, proíbe propaganda eleitoral em veículo de transporte público, como ônibus. A regra é diferente para veículos particulares, que podem usar adesivos dentro dos limites legais.

A gravação, divulgada na quinta-feira (29/10), mostra a organização da ação, com divisão de tarefas entre participantes, foco na aplicação de adesivos apenas nos ônibus que deixariam as garagens para circular e atenção à quantidade limitada de material disponível.

No áudio, Fábio Primo convoca membros da CTB para uma mobilização considerada crucial e destaca a responsabilidade da central na atuação nas garagens. Os envolvidos receberam orientações para colocar apenas um adesivo por veículo, na parte dianteira, do lado do passageiro, sem atrapalhar a visão do motorista.

A ação gerou controvérsia porque, no dia da eleição, muitos ônibus ficaram parados nas garagens, reduzindo a frota em circulação. A Prefeitura de Salvador disse que a operação foi planejada como no primeiro turno e que a propaganda eleitoral nos ônibus atrapalhou a operação, exigindo a remoção dos adesivos.

O prefeito Bruno Reis atribuiu a colocação dos adesivos a representantes sindicais e afirmou que os veículos só saíram das garagens após a retirada da propaganda. Posteriormente, a Prefeitura determinou que todos os ônibus fossem liberados para evitar transtornos à população.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), presidido pelo desembargador Maurício Kertzman Szporer, ordenou o restabelecimento total da frota e determinou a prisão em flagrante do secretário da Semob, Pablo Souza, no entanto, a prisão foi revogada após o encerramento da votação.

O TRE-BA encaminhou o caso para a Procuradoria Regional Eleitoral e para a Polícia Federal para investigação de possíveis crimes eleitorais ligados à redução da frota. A Corte exigiu ainda a preservação e apresentação de documentos sobre o transporte no dia da votação.

O governo da Bahia, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e do Procon, denunciou possíveis irregularidades no transporte público no segundo turno. Foram encontrados 944 ônibus parados em garagens, muitos sem adesivos eleitorais, e não havia equipes de plantão nas concessionárias.

A PGE solicitou ao Ministério Público Federal a investigação de possíveis responsabilidades do prefeito Bruno Reis, do secretário Pablo Souza e dos sócios das empresas de ônibus. O relatório do Procon foi encaminhado também à Polícia Federal, Ministério Público Eleitoral, TRE-BA e Polícia Civil.

A apuração de responsabilidades dependerá das investigações das autoridades competentes.

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