Brasil investe em inovação para crescer após alcançar alto desenvolvimento humano
O Brasil atingiu recentemente, pela primeira vez, o patamar de alto desenvolvimento humano. Diante disso, especialistas e autoridades do governo federal afirmam que o próximo passo é transformar esses avanços sociais em crescimento econômico sustentável. Para isso, o foco principal é a inovação, o aumento da produtividade e o fortalecimento do setor industrial.
O debate ocorreu durante o evento “Café com a Indústria”, realizado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em Brasília, Distrito Federal. A iniciativa reuniu representantes do governo e da indústria para discutir formas de tornar o setor mais competitivo frente às mudanças nas cadeias globais de produção.
O presidente da ABDI, Olavo Noleto, ressaltou a importância de aproximar as políticas públicas das demandas das empresas para acelerar projetos estratégicos. Ele destacou que não basta criar programas de incentivo, é fundamental que eles sejam efetivamente implementados.
Noleto também enfatizou a necessidade de ampliar iniciativas voltadas para a Indústria 4.0, inteligência artificial e digitalização da produção. Como exemplo, citou um projeto em parceria com a Bio-Manguinhos para desenvolver uma réplica digital da planta industrial da unidade.
Durante o evento, o presidente-executivo da FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri, ressaltou que o Brasil já mostrou capacidade para elaborar políticas industriais de longo prazo, mas enfrenta desafios para mantê-las entre diferentes governos.
Arcuri destacou que o país precisa diversificar sua economia, diminuindo a dependência das exportações de commodities, investindo em áreas como bioeconomia, transição energética, transformação digital e o complexo econômico-industrial da saúde. Segundo ele, o desafio atual é manter prioridades claras, metas definidas e a coordenação entre órgãos públicos.
Ele também pediu maior participação da Presidência da República na coordenação dessas políticas, para evitar duplicidade de ações e acelerar a execução dos projetos.
Desigualdade ainda limita os ganhos do desenvolvimento
A economista-chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Betina Barbosa, destacou que o Brasil alcançou um marco histórico ao registrar Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, entrando na categoria de alto desenvolvimento humano.
No entanto, Barbosa alertou que a desigualdade social ainda impede que os benefícios desse progresso cheguem a toda a população.
Ela explicou que, quando se consideram as desigualdades de renda, educação e saúde, o país volta à faixa de desenvolvimento médio. A economista também lembrou que a pandemia de Covid-19 fez retroceder avanços sociais, resultando em queda na expectativa de vida, redução dos ganhos de renda e impactos negativos na educação.
Betina Barbosa apontou que, apesar da redução das desigualdades entre negros e brancos, assim como entre homens e mulheres, o ritmo dessas melhorias ainda é lento.
Ela ressaltou que o maior potencial para avanço está na educação, principalmente entre jovens negros no ensino médio, etapa fundamental para preparar profissionais qualificados para a nova economia.

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