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Mato Grosso Cuiabá

Como o Jecrim resolve conflitos e ameaças do dia a dia

Redação BDN
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Foto: Reprodução

Ameaças, ofensas e brigas entre vizinhos podem ser resolvidas pela Justiça através de um processo mais simples e ágil. O Juizado Especial Criminal (Jecrim) é responsável por lidar com infrações de menor potencial ofensivo, buscando soluções previstas em lei para conflitos do dia a dia.

O processo inicia geralmente na delegacia, onde o registro da ocorrência é feito. Quando o caso se encaixa nessa categoria, a autoridade policial prepara o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), documento que reúne informações sobre o incidente e as pessoas envolvidas. Esse procedimento é enviado à Justiça para análise, podendo haver uma audiência preliminar para ouvir as partes e avaliar alternativas legais.

Casos atendidos pelo Jecrim

  • Ameaças;
  • Crimes contra a honra, como injúria, calúnia e difamação;
  • Porte de drogas para consumo pessoal, conforme a lei;
  • Lesão corporal leve ou culposa;
  • Danos materiais simples.

A classificação depende das circunstâncias e das regras aplicáveis. Ainda que seja uma infração de menor potencial ofensivo, o caso requer análise e uma resposta adequada do Judiciário.

Alternativas para encerrar o processo

Uma opção é a composição civil dos danos, acordo que busca reparar prejuízos causados pela infração. Quando homologado, o acordo pode influenciar a esfera civil e o andamento penal.

Outra alternativa é a transação penal, onde o Ministério Público propõe a aplicação imediata de multa ou pena restritiva de direitos, sem abrir ação penal. A aceitação da proposta não representa confissão de culpa, e o procedimento é finalizado se as condições forem cumpridas.

Quando a vítima deve agir?

Em crimes de ação penal privada, como calúnia, difamação e injúria, cabe à vítima ou representante legal apresentar queixa-crime para iniciar o processo. Em crimes de ação pública condicionada à representação, o Ministério Público conduz a ação, mas depende da manifestação da vítima, como em casos de ameaça.

O prazo para apresentar queixa-crime ou representação é de seis meses após a vítima identificar o autor. Ultrapassado esse prazo, ocorre a perda do direito de buscar a medida.

Casos que não são atendidos pelo Jecrim

O Juizado Especial Criminal não atua em crimes cuja pena máxima seja superior a dois anos, que são processados pelas varas criminais. Também estão fora do Jecrim os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher previstos na Lei Maria da Penha, que seguem legislação específica.

Na estrutura do Judiciário de Mato Grosso, os Juizados variam conforme a comarca. Em municípios menores, uma única unidade pode atender casos cíveis e criminais, enquanto em Cuiabá e Várzea Grande existem unidades separadas para atendimento criminal.

Foco no diálogo e prevenção

Para a juíza Maria Rosi de Meira Borba, a atuação do Jecrim vai além do encerramento do processo. O atendimento busca acolher as partes, incentivar o diálogo e encontrar soluções para evitar que pequenos conflitos se agravem e causem problemas maiores.

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