Indústria critica manutenção de juros em 13,75%
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou insatisfação com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4/11).
Em comunicado, a CNI classificou a manutenção dos juros como um erro e um excesso de cautela. Segundo a entidade, a alta dos juros faz o crédito ficar mais caro, prejudicando empresas e famílias, além de frear o crescimento da economia.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que o Copom deve iniciar o ciclo de cortes na taxa já na próxima reunião, marcada para dezembro. Ele ressaltou que a Selic permanece em nível elevado, afetando o crédito, os investimentos e a atividade econômica.
Ricardo Alban explicou que, apesar da piora nas expectativas de inflação, o índice oficial segue dentro da meta definida, e é possível reduzir os juros de forma gradual sem causar prejuízos maiores à economia.
A CNI também apontou que as políticas monetária e fiscal ainda estão fora de sintonia, destacando três pontos: a meta de resultado primário só é atingida graças a deduções legais; a dívida pública continua crescendo, com boa parte atrelada à Selic; e o mercado enxerga o risco fiscal como a maior ameaça à estabilidade econômica.
A entidade alertou que os juros altos não são a solução para o descompasso fiscal e que o ajuste deve ocorrer principalmente na área fiscal, afirmando que manter uma taxa restritiva acaba por transferir os custos para famílias e empresas.
Após o segundo turno das eleições, houve uma piora nas expectativas econômicas – com a desvalorização do real e aumento dos juros de longo prazo –, mas, para a CNI, isso não justifica interromper a redução dos juros.
A organização destacou que, embora as expectativas para a inflação no segundo trimestre de 2028 estejam dentro da meta, o juro real está em torno de 8,4%, muito acima do nível neutro estimado em 5%.
A política monetária restritiva vigente há quase cinco anos tem impacto negativo sobre a economia. A Sondagem Industrial de setembro mostrou que os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023, e a avaliação da margem de lucro foi a pior desde o período da pandemia.
Ricardo Alban também destacou que a desaceleração econômica não afeta apenas a indústria. Em agosto, as vendas no varejo caíram cerca de 1% em relação a janeiro, principalmente nos setores mais sensíveis ao crédito, enquanto o volume de serviços ficou quase parado desde o fim de 2025.
Além disso, o comprometimento da renda das famílias atingiu 29% em agosto, o maior nível em 21 anos, e o endividamento alcançou um recorde de 50,1% da renda em 12 meses. A pesquisa da CNI em outubro mostrou que 51,9% dos empresários esperam precisar de mais financiamento para pagar fornecedores nos próximos meses, enquanto 56,9% preveem uma redução nos lucros.

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