Inflação diminui em outubro, mas segue acima do alvo no ano
A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou em outubro, registrando alta de 0,32%, menos da metade do crescimento de 0,70% observado em setembro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (23).
Apesar da queda na taxa mensal, o índice acumulado em 12 meses chegou a 4,62%, ultrapassando o limite de tolerância da meta oficial, que é de 4,5%. O aumento dos preços foi puxado principalmente pelos alimentos, assim como pela redução nos custos da energia elétrica residencial e das passagens aéreas.
Dentre as categorias pesquisadas, alimentação e bebidas tiveram o maior aumento, com alta de 0,88%, impactando 0,19 ponto percentual no resultado final. Em seguida, despesas pessoais e vestuário também apresentaram crescimento de 0,55% e 0,53%, respectivamente.
Produtos consumidos em casa tiveram aumento médio de 1,01%, com o tomate liderando a alta, subindo 24,54%. Outros alimentos como cebola, batata-inglesa e arroz também registraram aumentos significativos. Em contraste, itens como cenoura, frutas e café moído tiveram redução de preços.
Os combustíveis ficaram mais caros, com o óleo diesel subindo 3,70%, o etanol 2,73% e a gasolina 0,92%, enquanto o gás veicular apresentou queda. No transporte, as passagens aéreas ficaram 9,24% mais baratas, contribuindo para a desaceleração do índice.
No setor de habitação, houve queda de 0,10%, influenciada pela redução de 0,89% na conta de luz residencial, devido à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, eliminando a cobrança extra.
Roberto Luis Troster, economista e coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ressalta que a desaceleração não representa uma queda consistente da inflação. Ele alerta que os alimentos continuam pressionando o orçamento das famílias e que a batalha contra a inflação ainda está em curso.
O IPCA-15 é uma prévia do índice oficial de inflação e utiliza metodologia semelhante ao IPCA, mas com coleta de dados feita entre os dias 16 do mês anterior e 14 do mês de referência. O indicador considera uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos e abrange várias regiões metropolitanas do país.
O resultado completo do IPCA referente a outubro será divulgado em novembro e servirá para confirmar a tendência observada na prévia. A evolução dos preços nos próximos meses será decisiva para monitorar se a desaceleração continuará.

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