Inflação menor que o esperado abre caminho para corte de juros
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que antecipa o comportamento da inflação oficial, registrou queda de 0,40% em agosto. O esperado pelos analistas era uma alta de 0,30%.
Essa desaceleração maior que a prevista reforça a chance de redução da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), marcada para os dias 15 e 16 de setembro. Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), destaca que o dado mais relevante é a baixa no núcleo da inflação, que descarta os itens mais voláteis. “A média dos núcleos subiu apenas 0,23%”, afirma. Segundo ele, houve nova deflação em alimentos para o domicílio e nos preços livres, enquanto o índice de difusão subiu para 52%, ainda em patamar confortável.
O economista ressalta que parte da deflação tem origem em fatores pontuais, como o bônus da energia elétrica de Itaipu, além da queda nos preços das passagens aéreas e dos combustíveis. “Para o Banco Central, o resultado é positivo e reduz a pressão sobre a inflação, mas é cedo para comemorar uma vitória definitiva”, pondera.
No mercado, a reação foi de queda nos juros futuros, principalmente nas curvas mais curtas e médias, à medida que os investidores avaliam a continuidade dessa melhora. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, avalia que a redução da inflação, combinada com a baixa do preço do petróleo e leve queda do dólar, traz alívio para a curva de juros curta. Ele destaca o recuo de 0,97% em alimentos para o domicílio, com queda significativa em itens como o feijão carioca, que baixou mais de 2%.
Entretanto, há alerta para a inflação de serviços, que mantém sua resistência. Matheus Pizzani, economista do PicPay, observa que ela está sustentada por um mercado de trabalho ativo e renda em crescimento, ainda que em ritmo mais lento que no passado. Ele projeta inflação de 4,70% para o final de 2026, com expectativa de Selic em 13,50%, ante os atuais 14% ao ano.
Matheus Pizzani também chama atenção para o risco inflacionário no final do ano, influenciado pelo fenômeno El Niño, que pode impactar especialmente o preço dos alimentos. Esse fator deve ser considerado nas expectativas de inflação e na definição da política monetária.

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