JHC usa processo judicial para calar críticas na mídia
Alagoas — O candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas, conhecido como JHC (PSDB), tem recorrido a numerosas ações judiciais contra jornalistas, veículos de comunicação e páginas nas redes sociais durante a campanha eleitoral no estado. Essa prática gerou controvérsia e mobilizou debates sobre liberdade de expressão.
Levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) revelou 183 processos movidos por JHC, pela Federação PSDB/Cidadania e pela coligação Alagoas Gigante contra profissionais e empresas do setor. Muitas dessas ações têm relação com a cobertura do caso Master, envolvendo recursos públicos aplicados no Banco Master durante a gestão de JHC na prefeitura de Maceió.
Desde o início do ano, diversas reportagens sobre o tema levaram a pedidos judiciais para retirada de conteúdo e indenizações. Em janeiro de 2026, JHC solicitou a remoção de matérias da jornalista Bleine Oliveira e do jornal Folha de Alagoas, com a Justiça determinando a retirada dos textos em até 24 horas, sob pena de multa.
Outros processos também tiveram repercussão, como ações contra a Bancada Negra de Maceió e o jornalista Cadu Amaral, em diferentes contextos relacionados à cobertura eleitoral e gastos públicos. Em alguns casos, pedidos foram negados pela Justiça, que reforçou a importância da liberdade de imprensa.
Recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) ordenou a retirada de uma reportagem da Tribuna do Sertão sobre os investimentos no Banco Master, com multa diária para o descumprimento da decisão liminar, que ainda será julgada em definitivo. A medida gerou críticas de entidades jornalísticas, que consideram o ato uma ameaça à liberdade de expressão e à democracia.
O ministro dos Transportes, George Santoro, destacou o risco que o volume de processos judiciais representa para o debate público e pediu maior mobilização dos sindicatos de jornalistas. Por sua vez, o adversário de JHC na eleição, Renan Filho (MDB), acusou o candidato de atitudes autoritárias.
Organizações como o Sindjornal e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram preocupação com a judicialização excessiva contra a imprensa durante o período eleitoral e afirmaram que liberdade de imprensa deve ser preservada, apesar da responsabilidade jornalística.

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