Soja R$ 155,05 ▲ 0,31%Milho R$ 69,05 ▲ 0,38%Boi gordo R$ 344,50 ▲ 0,58%

Brasil

Juros Baixos Impulsionam Fundos Constitucionais para a Indústria

Redação BDN
Redação BDN

Publicado em

3 min de leitura
Foto: Miva Filho

As taxas de juros menores têm sido o motivo principal para que empresas industriais busquem os Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs). Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (15/7), indica que 94% das indústrias que solicitaram recursos entre 2022 e 2025 apontam o custo mais acessível do crédito como razão principal para aderir a essa política pública, que visa reduzir desigualdades regionais e promover o desenvolvimento econômico e social.

Os FCFs são divididos em três categorias: Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), voltado para projetos agropecuários, agroindustriais e de infraestrutura; Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), destinado a investimentos nos setores agropecuário, industrial, turístico e de infraestrutura; e Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), que prioriza o desenvolvimento sustentável, atividades de baixo impacto ambiental, agronegócio e pesca.

Os recursos desses fundos correspondem a 3% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O dinheiro é repassado aos bancos operadores, como Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste, que analisam e concedem os financiamentos.

De acordo com a analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias, a pesquisa revela que os fundos superam um dos maiores desafios para o crédito no país. “As taxas de juros são o maior obstáculo para conseguir crédito, especialmente em níveis altos como os atuais. Nossa pesquisa mostra que essa política pública tem ajudado a resolver esse problema”, explica.

Ela ressalta, porém, que os juros cobrados da indústria ainda são maiores do que os aplicados ao setor rural.

Além das taxas mais competitivas, empresários destacaram também os prazos de pagamento e carência (56%) e o relacionamento prévio com o banco operador (24%) como motivos importantes para procurar os fundos.

Os dados indicam que os financiamentos têm sido usados principalmente para investimentos em estrutura. Mais da metade das empresas (56%) contratou crédito para compra de máquinas e equipamentos. Outras 22% usaram os recursos para construir, modernizar ou ampliar fábricas e armazéns, enquanto 18% destinaram para capital de giro.

Do total de empresas que pediram crédito, 52% conseguiram o valor solicitado, 32% receberam menos que o pedido e 10% não tiveram aprovação para financiamento.

A pesquisa foi feita pela CNI em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Foram ouvidas 147 indústrias das áreas abrangidas pelos fundos — Centro-Oeste, Norte, Nordeste, além de municípios elegíveis de Minas Gerais e Espírito Santo — entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. Consideraram-se operações de crédito dos três anos anteriores.

Apesar da atratividade, a burocracia, exigência de garantias e falta de conhecimento sobre os fundos dificultam o acesso aos recursos. O levantamento mostra que 38,1% das indústrias não conhecem os Fundos Constitucionais de Financiamento. Para a CNI, isso indica que a política pública ainda não alcança totalmente seu público-alvo.

Entre as empresas que conhecem os fundos, mas não solicitaram crédito, 38,5% apontam a burocracia ou demora na análise como principal motivo. Outros 28,2% citam falta de informações ou ausência de necessidade de financiamento no momento.

Compartilhe esta notícia

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Comentários passam por moderação.