Ministra do TSE pede mais tempo para analisar suspensão de pesquisa da AtlasIntel
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitou nesta sexta-feira mais tempo para avaliar a decisão sobre a suspensão da divulgação da pesquisa realizada pela AtlasIntel e Bloomberg, publicada em 19 de maio. A pesquisa apontava uma queda nas intenções de voto do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Já havia um pedido de vista por parte da ministra, que agora considera necessário um prazo maior para examinar todos os detalhes do caso. A suspensão da pesquisa foi determinada inicialmente pelo presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes.
O Partido Liberal (PL) reivindicou a suspensão alegando que o questionário da pesquisa poderia ter sido elaborado para influenciar respostas de forma negativa contra Flávio Bolsonaro, indo além de uma simples verificação da opinião pública.
A pesquisa foi divulgada logo após revelações sobre conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, envolvendo financiamento para o filme Dark Horse. O questionário abordava ainda questões relacionadas a esse episódio.
Ao analisar o pedido, o relator do caso no TSE destacou que a controvérsia vai além da discordância sobre os métodos aplicados pela AtlasIntel. Há uma suspeita concreta de que o questionário tenha induzido o entrevistado, especialmente pela ordem das perguntas e pelo uso de termos com carga negativa.
O ministro Nunes Marques apontou a existência de indícios relevantes que comprometem a metodologia da pesquisa. Ele explicou que a decisão de suspender a pesquisa tem como objetivo proteger a integridade do processo eleitoral e garantir uma análise mais completa sobre os critérios adotados nas pesquisas eleitorais, principalmente quando há suspeita de manipulação ou prejuízo à legitimidade do pleito.
Vale destacar que, na pesquisa feita em abril, com simulação de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro estavam tecnicamente empatados, com pequena vantagem para Flávio Bolsonaro. Na investigação de maio, entretanto, Lula apareceu com 48,9% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro caiu para 41,8%, uma diminuição de seis pontos percentuais.

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