Mulheres terão duas cadeiras na ALMT em 2027
A participação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) teve início em 1958 com a eleição de Oliva Enciso. Quase 70 anos depois, Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) foram eleitas para a legislatura que começará em 2027. Elas ocuparão duas das 24 cadeiras disponíveis.
Esse avanço mostra a importância da presença das mulheres no Legislativo estadual, mas também revela a diferença entre o número de candidaturas femininas e sua efetiva representação. Nas eleições de 2026, as mulheres registraram 34% das candidaturas em Mato Grosso, mesma proporção de 2022.
A primeira mulher deputada estadual em Mato Grosso, Oliva Enciso, foi eleita 26 anos após o voto feminino ser garantido no Brasil. Professora e ex-vereadora de Campo Grande, Oliva atuou na 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, em um contexto político dominado por homens.
Segundo a historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos, a presença das mulheres na política local cresceu nas décadas de 1920 e 1930, influenciada pelo movimento nacional pelo sufrágio feminino. No entanto, fatores como coronelismo, relações familiares e o patriarcado dificultaram o acesso das mulheres a cargos públicos.
Madalena Rodrigues, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), destaca que gênero, classe social e raça influenciam as barreiras enfrentadas pelas mulheres na política.
A educação, sindicatos e vínculos familiares foram caminhos usados por mulheres para chegar à Assembleia. Vera Lúcia Araújo, conhecida como Verinha, foi professora, dirigente sindical e eleita vereadora de Cuiabá em 2000, conquistando uma vaga na ALMT em 2002 como a única mulher entre os 24 deputados eleitos naquela legislatura.
Verinha relata as dificuldades de atuar em ambiente predominantemente masculino, incluindo cobranças à sua competência e pressões relacionadas à maternidade e às responsabilidades domésticas, mesmo com compartilhamento das tarefas com seu companheiro.
No mandato, ela apresentou projetos ligados à educação, saúde e fiscalização pública, como leis contra o nepotismo e o estabelecimento do Dia Estadual de Controle à Anemia Falciforme, além de garantir meia-entrada para professores em eventos culturais.
A cientista política Christiany Fonseca observa que o número de candidaturas femininas não garante mandatos, pois o sucesso depende de apoio partidário, recursos e redes políticas. O processo inclui obter uma candidatura competitiva, disputar votos, vencer e permanecer na política.
Nas eleições gerais de 2026, embora as candidaturas femininas tenham mantido 34%, apenas duas mulheres ocuparão cadeiras na ALMT em 2027.
A eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira é a primeira com duas mulheres titulares eleitas para o Legislativo desde 2010, quando Luciane Bezerra e Teté Bezerra ocuparam cadeiras na 17ª Legislatura.
Desde Oliva Enciso, outras mulheres passaram pela ALMT, entre elas Sarita Baracat, Thaís Bérgo Duarte Barbosa, Serys Slhessarenko, Vera Lúcia Araújo, Ana Carla Muniz, Chica Nunes e Janaina Riva. Também houve suplentes como Marildes Ferreira, Graciele Marques dos Santos, Valdeníria Dutra, Sheila Klener, Sandy de Paula, Priscila Dourado e Eliane Xunakalo, primeira mulher indígena a assumir cadeira temporária.
O futuro mandato de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira representa um novo capítulo na trajetória das mulheres na ALMT e reforça a importância do debate sobre igualdade de oportunidades, apoio partidário e permanência feminina nos espaços de decisão.

Deixe seu comentário