Soja R$ 154,57 ▲ 0,57%Milho R$ 68,79 ▲ 0,53%Boi gordo R$ 342,50 ▼ -0,25%

Brasil

Novo local no litoral do Rio pode ser berçário para tubarões

Redação BDN
Redação BDN

Publicado em

3 min de leitura
Foto: Instituto PROSHARK

Pesquisadores do Instituto PROSHARK e colaboradores anunciaram o registro inédito de fêmeas de três espécies de tubarão no complexo estuarino Ilha Grande–Sepetiba, no litoral sul do Rio de Janeiro. A descoberta sugere que a região pode funcionar como área de reprodução, refúgio e berçário para esses animais.

Os estudos, divulgados na Brazilian Journal of Biology, indicam que entre 2006 e 2024 seis fêmeas grávidas foram documentadas nas Baías de Ilha Grande e Sepetiba, incluindo áreas próximas de proteção ambiental. As espécies identificadas são tubarão-rotador (Carcharhinus brevipinna), tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus) e tubarão-mangona (Carcharias taurus).

A presença de fêmeas em diferentes fases da gestação revela que os tubarões utilizam esse complexo estuarino para momentos importantes do ciclo reprodutivo. No entanto, é preciso realizar novos estudos que encontrem filhotes recém-nascidos e juvenis e acompanhem seus movimentos ao longo do tempo para confirmar a função do local como berçário.

A pesquisa foi estruturada com base em registros de capturas acidentais durante a pesca artesanal e monitoramento científico. Um tubarão chegou a ser acompanhado por telemetria satelital, que permite rastrear seus deslocamentos. Os animais recolhidos passaram por necropsias em parceria com o Laboratório de Chondrichthyes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avaliando o desenvolvimento dos embriões.

Segundo a bióloga Fernanda Lana, presidente do Instituto PROSHARK e responsável pelo estudo, os resultados mostram que o complexo Ilha Grande-Sepetiba desempenha papel fundamental ao longo de todo o ciclo reprodutivo dos tubarões.

O complexo estuarino se estende por cerca de 60 quilômetros do litoral sul fluminense, e engloba praias, costões, ilhas e manguezais. Inclui áreas marinhas protegidas como a ESEC Tamoios, entre Angra dos Reis e Paraty, e a Área de Proteção Ambiental Marinha Boto-Cinza, em Mangaratiba. Essas regiões podem oferecer condições favoráveis para a reprodução, como águas rasas, proteção e alimento, aumentando as chances de sobrevivência dos filhotes.

As três espécies presentes no local possuem características e estratégias reprodutivas distintas:

  • Tubarão-rotador: apresenta manchas escuras nas nadadeiras; fêmeas carregam de três a 15 embriões; gestação de 10 a 12 meses em anos alternados; maturidade sexual entre 8 e 10 anos.
  • Tubarão-galha-preta: identificação por mancha na nadadeira pélvica; carrega entre um e dez embriões; gestação similar ao tubarão-rotador; maturidade sexual entre 4 e 7 anos.
  • Tubarão-mangona: possui manchas marrons, focinho achatado e dentes longos; embriões se desenvolvem sem placenta e se alimentam de óvulos não fertilizados e outros embriões, resultando em poucos filhotes sobreviventes.

As espécies enfrentam diferentes níveis de ameaça por causa da pesca e da degradação do habitat. Por isso, a proteção das áreas utilizadas durante a reprodução é essencial para garantir a manutenção das populações.

Apesar da proteção ambiental, o complexo sofre pressões da ocupação humana, como urbanização, usinas nucleares, terminais de petróleo, portos, instalações industriais e pesca, que podem afetar os ecossistemas locais.

Compartilhe esta notícia

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Comentários passam por moderação.