PF identifica saques de R$ 15,6 milhões em conta do presidente do Tce-Mt
A Polícia Federal descobriu 150 saques em dinheiro vivo que totalizam R$ 15,6 milhões nas contas bancárias do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida. Desses, 64 saques foram realizados diretamente no caixa de uma agência localizada dentro do prédio do órgão, somando R$ 15,4 milhões.
A investigação aponta que essas movimentações podem fazer parte de um esquema irregular envolvendo pagamentos e circulação de dinheiro em espécie no tribunal. O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou a prisão preventiva de Sérgio Ricardo e de outras cinco pessoas investigadas nesse caso.
Foram identificadas ainda imagens de circuito interno da agência que mostram Roseli Loss, ex-chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, realizando diversas retiradas e entregas de dinheiro, que somam cerca de R$ 3,5 milhões. Parte desse valor teria sido entregue a Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do presidente do TCE e também investigado.
Entre os saques de alto valor, destacam-se liberações de R$ 500 mil e R$ 490 mil em datas específicas, feitas mediante solicitação prévia ao banco para disponibilizar os recursos. Além disso, a origem dos recursos inclui pagamentos realizados pelo próprio TCE-MT, que somaram mais de R$ 15 milhões no período analisado.
A PF revelou que Roseli Loss tinha procuração para movimentar as contas de Sérgio Ricardo e aparece nas movimentações desde o primeiro semestre de 2024. Em algumas operações, ela retirou valores expressivos, como R$ 200 mil em fevereiro e R$ 340 mil em abril daquele ano.
A polícia ressalta que Sérgio Ricardo tinha papel de comando na organização investigada, e que operadores financeiros agiam para transformar dinheiro público em dinheiro vivo.
A operação contou com o apoio de mais de 180 agentes da PF, que cumpriram mandados de prisão e busca em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Entre os presos estão Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico do TCE; Felipe José Glinke e Adriangelo Barros Antunes, servidores da instituição; Roseli Loss, secretária executiva; e Gustavo Fernandes da Silva.
Além disso, os conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar foram afastados após mandados de busca e apreensão. O conselheiro aposentado Valter Albano também sofreu afastamento preliminar.
A investigação segue em curso, apurando suspeitas de pressão sobre fornecedores, tratamento diferenciado na liberação de recursos, divergências em pagamentos e movimentações financeiras suspeitas. Os fatos podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
É importante destacar que as prisões preventivas não representam condenação e o processo continua em investigação.

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