Selic alta não garante proteção total ao patrimônio
Um estudo do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGVcef) revela que a alta taxa Selic não protege completamente o patrimônio dos brasileiros.
Os pesquisadores Claudia Emiko Yoshinaga, Francisco de Castro Junior, Ricardo Ratner Rochman e William Eid Junior analisaram dados entre 2000 e 2026 e indicam que, apesar da liquidez e baixa volatilidade, os investimentos atrelados à Selic e ao CDI não eliminam riscos como a inflação, reinvestimento e concentração patrimonial.
Um exemplo do estudo mostra que uma aplicação de R$ 100 no CDI em janeiro de 2000 teria crescido para cerca de R$ 2.108 em julho de 2026, um retorno nominal acumulado de 2.008%. Porém, quando a inflação de 382% no período é descontada, o ganho real é menor, chegando a aproximadamente R$ 437, o que representa um retorno real acumulado de cerca de 337%.
Além disso, em dólar, o patrimônio apresenta valores diferentes, evidenciando os riscos da concentração em moeda local. Os R$ 2.108 no CDI equivalem a cerca de US$ 743 em julho de 2026. Desde 2004, o CDI acumulou 799% em reais e 370% em dólar, o que mostra a importância de considerar moedas estrangeiras na análise dos investimentos.
O estudo também destaca que ter diferentes investimentos no Brasil não significa necessariamente estar diversificado. A diversificação verdadeira envolve ativos de diferentes economias, moedas e emissores.
Para ampliar a proteção do patrimônio, a pesquisa defende a internacionalização dos investimentos como forma de reduzir a concentração e distribuir riscos. Ressalta ainda que diversificação eficaz deve ser baseada em disciplina e constância na montagem da carteira, não apenas em tentativas de prever o melhor momento para investir no exterior.

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