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Política

Almt e Governo lançam manuais para combater a violência contra a mulher

Redação BDN
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Foto: Reprodução

Almt e Governo lançam manuais para combater a violência contra a mulher

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) está participando da criação de dois manuais que têm como objetivo prevenir e combater a violência contra a mulher. Esses materiais são desenvolvidos em colaboração com o Governo do Estado e outras instituições para orientar profissionais da imprensa e das forças de segurança a divulgarem ocorrências sem expor as vítimas, atrapalhar investigações ou incentivar atos violentos.

O prazo para conclusão dos manuais é o final de novembro. A iniciativa envolve membros da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e busca incentivar práticas que garantam a proteção das vítimas, o respeito às famílias e a prevenção de novos casos.

Como os manuais são elaborados

O trabalho é coordenado pelo Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, liderado pela delegada da Polícia Civil Mariell Antonini. Um grupo foi formado para estabelecer diretrizes de comunicação e ações preventivas para impedir o chamado efeito copycat, que refere-se à imitação de comportamentos violentos após a divulgação de crimes.

Participam também representantes do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas e Ordem dos Advogados do Brasil, entre outros órgãos. Segundo Mariell Antonini, estudos apontam que a exposição detalhada de crimes pode incentivar a repetição desses atos.

A divulgação de informações feita por veículos de comunicação pode causar esse efeito imitador nas semanas seguintes aos casos. Por isso, os manuais visam orientar para uma cobertura responsável que informe sem aumentar os riscos de reprodução da violência.

A procuradora especial da Mulher da ALMT, Francielle Brustolin, destacou que a participação da Assembleia envolveu estudos iniciais e a criação de protocolos, guias e capacitações. A jornalista Deisy Boroviec, com experiência em violência de gênero, também contribuiu tecnicamente.

A atuação da ALMT pretende transformar a comunicação em aliada na prevenção e no enfrentamento da violência contra mulheres.

Orientações para jornalistas e comunicadores

O manual voltado para a imprensa orienta uma cobertura responsável, respeitando a liberdade de expressão. Entre os principais cuidados estão:

  • Evitar responsabilizar a vítima pela violência sofrida.
  • Não romantizar crimes nem justificar agressões.
  • Reducir a exposição desnecessária de detalhes violentos.
  • Priorizar informações que ajudem a identificar riscos e caminhos para buscar ajuda.

A intenção não é impedir a divulgação, mas sim orientar a produção de notícias que esclareçam a gravidade dos crimes e informem sobre denúncia e proteção, sem transformar o sofrimento em espetáculo.

Francielle Brustolin frisou que a cobertura deve ir além do relato, ajudando a sociedade a reconhecer situações de risco e onde buscar apoio. Para Mariell Antonini, a comunicação é essencial para mudar a cultura que naturaliza a violência contra a mulher.

Protocolos para as forças de segurança

O segundo manual será voltado para as polícias Civil e Militar e reunirá recomendações sobre pronunciamentos oficiais, divulgação de informações e preservação das investigações. As orientações também abrangem a proteção das vítimas e seus familiares, além da preservação dos locais de crime e da cadeia de custódia.

Mariell Antonini ressalta que a comunicação oficial deve respeitar a dignidade das pessoas envolvidas e as necessidades da apuração policial, evitando expor familiares e prejudicar as equipes.

Capacitação para profissionais de comunicação

A Procuradoria Especial da Mulher organizará uma capacitação em novembro na sede da ALMT, com formatos presencial e virtual. Destinada a jornalistas, assessores, publicitários e comunicadores, a formação abordará o uso correto da linguagem, cobertura de crimes contra mulheres e prevenção da revitimização.

Esta capacitação também possibilitará participação de profissionais do interior do estado e previsa articulação com Procuradorias da Mulher em câmaras municipais.

A proposta é oferecer orientações práticas para divulgação responsável, cuidados para preservar a dignidade das vítimas e evitar o efeito imitador.

Disponibilidade dos materiais

Após finalizados, os manuais poderão ser consultados no site mulher.mt.gov.br, aberto a profissionais e ao público. A plataforma também oferecerá vídeos com dicas para identificar violência doméstica, buscar atendimento e colaborar na prevenção.

A elaboração dos documentos é resultado de uma ação conjunta para combater a violência, apoiar as vítimas e fortalecer políticas públicas, tendo como meta promover uma comunicação responsável e mudanças que reduzam a tolerância às agressões.

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