Apoio psicossocial no Jecrim de Cuiabá vai além da justiça
O acompanhamento psicossocial no Juizado Especial Criminal (Jecrim) de Cuiabá tem como objetivo entender as histórias que envolvem os conflitos apresentados à Justiça. Realizado pelo Núcleo Psicossocial (NUPS), o serviço oferece acolhimento, orientação e encaminhamento para serviços públicos, considerando as condições pessoais, familiares e sociais de cada indivíduo.
O atendimento também abrange casos relacionados ao porte de drogas para consumo pessoal, proporcionando um suporte que incentiva a reflexão sobre escolhas e busca novas perspectivas de vida. Essa iniciativa finaliza a série “Justiça que acolhe”, que detalhou o funcionamento do Jecrim, as formas de resolução de conflitos e o papel do acompanhamento psicossocial além dos processos judiciais.
Acolhimento com foco humano
Psicólogos e assistentes sociais do NUPS realizam entrevistas e orientações, além de facilitar o acesso à rede pública quando necessário. A equipe oferece também suporte técnico aos magistrados para análise dos casos. Conforme destaca a assistente social Gilda Rodrigues Arruda, o acompanhamento psicossocial é fundamental para entender as situações e auxiliar na tomada de decisões judiciais.
Nos casos envolvendo uso de drogas, a equipe busca entender fatores além da infração, considerando o contexto amplo da trajetória de vida de cada pessoa. A psicóloga Ana Cláudia Amorim Lima ressalta que o uso de drogas representa apenas a superfície dos desafios enfrentados, e o principal objetivo é estimular o cuidado e o reconhecimento do valor pessoal de cada participante.
Grupos de apoio e atividades artísticas
O Núcleo realiza mensalmente o Grupo de Acompanhamento, Informação e Educação (GAIE), que promove encontros online para discutir temas como saúde, autocuidado e uso de substâncias lícitas e ilícitas. Profissionais convidados abordam ainda saúde bucal, autoestima e motivação. O grupo estimula a reflexão sobre hábitos e decisões diárias, com orientações para aplicar o aprendizado no dia a dia.
Outra iniciativa é o projeto Arte e Vida, desenvolvido em parceria com o Instituto Ação de Desenvolvimento Sustentável da Pessoa e Inclusão (Proaspi). Voltado para pessoas com procedimentos relacionados a porte de drogas para uso pessoal, o projeto usa atividades artísticas, especialmente teatro, para trabalhar autoestima, autorrespeito e convivência.
Com encontros semanais que reúnem cerca de 28 a 30 participantes, o projeto teve início em setembro e segue até dezembro. Ao final, os participantes apresentarão uma peça teatral criada durante as atividades. Segundo Gilda Rodrigues Arruda, a participação espontânea e o envolvimento nas atividades indicam o impacto positivo do trabalho.
Essas ações reforçam o compromisso do acompanhamento psicossocial em oferecer orientação e estimular decisões mais conscientes, ultrapassando as consequências imediatas de processos judiciais.

Deixe seu comentário