Brasileiros veem mudança do clima como maior preocupação que o desemprego
A pesquisa “Termômetro do Brasil”, realizada pelo LINA, do Instituto Oyá, em parceria com o Ipsos, ouviu 2.000 pessoas em todo o país e mostrou que as mudanças do clima são a principal preocupação das famílias, superando o desemprego e outros problemas.
Segundo o estudo, 41% dos entrevistados indicam a crise climática como o maior risco para o futuro, acima do desemprego (32%), retrocesso democrático (32%), saúde (31%) e falta de alimentos (30%).
Porém, no dia a dia, os brasileiros se preocupam mais com questões imediatas, sendo que o clima aparece apenas na nona posição, citado por 14% das pessoas. As principais preocupações diárias são crime e violência (47%), corrupção (38%), pobreza e desigualdade (35%) e saúde (33%).
Kamila Camilo, diretora executiva do Instituto Oyá, afirma que a população não é indiferente à crise do clima, mas está mais preocupada com as urgências do dia a dia e se sente distante da mensagem ambientalista tradicional. Para ela, o ponto de virada ocorre quando o tema é ligado à economia diária e à qualidade de vida.
Existem diferenças regionais no país. No Sul, 64% das pessoas acreditam que suas ações têm impacto no meio ambiente, enquanto no Centro-Oeste esse sentimento é menor, mas a região tem altos níveis de conhecimento sobre o tema. No entanto, desafios como falta de tempo e dificuldade para acessar produtos sustentáveis atrapalham a prática de hábitos mais conscientes.
O estudo mostra que os brasileiros preferem participar de ações digitais, como apoiar petições online, e dar suporte a ONGs, que têm a confiança de 45% da população. Formas tradicionais de protesto e vinculação partidária estão em baixa.

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