Como a ciência protege a Amazônia no manejo da madeira
Comprar um produto certificado como sustentável pode parecer seguro, mas há um erro invisível que pode afetar o equilíbrio da floresta. Apesar dos bilhões em negócios e milhões de hectares preservados, a indústria madeireira enfrenta um desafio importante: garantir que a madeira retirada seja da espécie correta.
Em Mato Grosso, que movimenta R$ 3,2 bilhões na base florestal e protege mais de 5 milhões de hectares de manejo, uma inovação importante surgiu na cidade de Juína. O avanço não está nos satélites modernos, mas nas pessoas que analisam as árvores cuidadosamente.
O perigo do erro na identificação das árvores
Tradicionalmente, a identificação das árvores dependia de métodos simples, como observar a casca e a textura. No entanto, a diversidade da floresta torna essa tarefa difícil e propensa a erros, especialmente entre espécies parecidas. Um erro nessa etapa pode causar problemas graves: alterar o inventário florestal, dificultar o monitoramento e comprometer a rastreabilidade, prejudicando produtores, fiscalizadores e compradores.
Para solucionar isso, foi criado o Curso FIC – Identificador Florestal, uma iniciativa inédita no Brasil. O programa, promovido pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), em parceria com a UFRA, o IFMT Campus Juína e a Sedec, treinou 14 profissionais para realizar essa tarefa com maior precisão.
A prática que une conhecimento e floresta
Durante uma semana, os participantes realizaram atividades na Fazenda Montana e Fazenda Rio Doce, deixando a teoria de lado para aprender na prática sobre a anatomia e arquitetura das árvores, essenciais para o manejo sustentável. Para o empresário Tiago Federle, de Colniza (MT), essa experiência foi transformadora e fundamental para o trabalho em campo.
A coordenadora do projeto, a engenheira florestal Gracialda Costa Ferreira (UFRA), destacou a importância do curso, que é o início para atender a uma grande demanda do mercado.
O impacto na sustentabilidade e no mercado
Segundo Valdinei Bento dos Santos, diretor-executivo do CIPem, qualificar quem identifica as espécies fortalece toda a cadeia produtiva e garante segurança para produtores, órgãos reguladores e consumidores.
Com a conclusão da primeira etapa em Juína e a próxima fase prevista para setembro, em Alta Floresta, Mato Grosso reafirma seu compromisso com o manejo florestal legal e sustentável, que gera emprego, renda e protege a biodiversidade.

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