Ubarana gera renda para mulheres em Magé
Em Magé, no Rio de Janeiro, a ubarana, um peixe pouco valorizado na pesca local, tem se tornado uma importante fonte de renda para mulheres da comunidade. A iniciativa é da Cozinha das Caranguejeiras, vinculada à Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé (ACAMM).
As mulheres preparam pratos variados com a carne da ubarana, como estrogonofe, escondidinho, almôndegas e bolinhos, utilizando receitas tradicionais que valorizam o peixe. O trabalho comunitário transforma um pescado de baixo valor comercial em produtos vendidos para a comunidade, turistas e empresas.
Márcia Regina, pescadora aposentada com 40 anos de experiência, destaca que o espaço também recebe visitantes interessados em conhecer o projeto. Desde 2021, a iniciativa ocupa espaços físicos conquistados por meio de editais do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), beneficiando cerca de 15 mulheres em sistema de rodízio e 24 famílias associadas.
A valorização da ubarana está ligada ao conhecimento tradicional das mulheres da região do Rio Suruí, na Baía de Guanabara, que sempre aproveitaram o peixe para uso próprio. O aumento do potencial econômico veio após a associação testar e comercializar diferentes receitas em encontros comunitários.
Rafael Santos, presidente da ACAMM, explica que a comercialização surgiu da percepção do valor econômico da ubarana após ser servida como petisco nas reuniões da associação.
Segundo a bióloga Verônica Souza, do Projeto Andadas Ecológicas da ONG Guardiões do Mar, a ubarana é encontrada em ambientes costeiros e estuarinos, mas sua carne com muitas espinhas finas dificulta o preparo tradicional. As técnicas culinárias desenvolvidas pela comunidade permitem a retirada eficaz das espinhas, valorizando o peixe.
A iniciativa é também um espaço de apoio social, onde as mulheres compartilham experiências e oferecem suporte mútuo durante a rotina na cozinha, conforme relata Márcia Regina.
Além de gerar renda, o projeto promove a conservação ambiental por meio da limpeza e replantio dos manguezais do Rio Suruí. Em 2024, pescadores e catadores removeram mais de 12 toneladas de resíduos do local, ação conduzida em parceria com a ONG Guardiões do Mar.
A associação ainda incentiva o turismo comunitário na Baía de Guanabara, incluindo passeios de observação da fauna e da flora locais, associando a gastronomia regional à educação ambiental e preservação.
O Projeto Andadas Ecológicas, apoiado pela Petrobras, colabora com a Cozinha das Caranguejeiras e a ACAMM, promovendo ações de educação ambiental, pagamento por serviços ambientais e limpeza dos manguezais.
Este caso mostra como conhecimentos tradicionais combinados com organização comunitária e cuidado ambiental podem transformar um recurso natural pouco valorizado em uma importante atividade econômica e social na região.

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