Como a oposição e Centrão vão se reorganizar sem Flávio em 2027
A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com o apoio de suas bancadas no Congresso para enfrentar o próximo governo, mas ainda busca uma liderança clara.
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) rumo aos Estados Unidos reforçou entre políticos do centro e da direita a necessidade de um novo nome para liderar o grupo. Isso tem aumentado as expectativas em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira (27/10), contrariando aliados que sugeriram que ele permanecesse no país após a derrota nas eleições. Essa decisão desagradou membros do grupo, que veem na saída um motivo a mais para propor uma nova liderança para a direita.
Desde a campanha, lideranças do Centrão já creditavam a derrota ao excesso de confiança do senador e à dificuldade de reagir ao avanço de Lula no segundo turno. A sua saída do país aumentou o questionamento entre aliados sobre seu papel como principal nome da oposição.
Integrantes do Centrão e do PL avaliam de forma reservada que o episódio favorece Tarcísio de Freitas como a alternativa mais forte. O governador foi o preferido por dirigentes para disputar a Presidência este ano, mas foi preterido por decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que optou por manter a liderança da oposição dentro da família.
Os apoiadores do governador acreditam que, ao contrário da família Bolsonaro, Tarcísio pode conquistar eleitores que rejeitam o PT.
Entretanto, a ideia de uma nova liderança enfrenta resistência dentro do projeto político da família Bolsonaro. Segundo aliados, Jair Bolsonaro pretendia manter o clã no comando da direita. A candidatura de Flávio foi a estratégia escolhida para manter essa posição enquanto o ex-presidente estava preso e impossibilitado de concorrer.
Apesar da derrota, Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos. Parlamentares que defendem a família usam esse resultado para afirmar que ele continua como um dos nomes principais do grupo. Também defendem que outra candidatura dependeria da aprovação de Jair Bolsonaro.
Um senador do grupo declarou: “A família Bolsonaro, queira ou não, tem um eleitorado fiel. Os próximos passos precisam considerar isso. Quem for, seja com o sobrenome Bolsonaro ou não, terá que trabalhar para manter esse grupo mobilizado.”
Antes de 2030, haverá o teste das prefeituras. A eleição municipal de 2028 será a primeira disputa durante o próximo governo Lula. Serão escolhidos prefeitos e vereadores.
O apoio a candidatos locais oferecerá aos aspirantes à Presidência a chance de ampliar alianças e mostrar força eleitoral.
Os prefeitos eleitos estarão no cargo durante a campanha presidencial de 2030 e poderão mobilizar apoio em seus municípios para seus candidatos.
Sobre o bolsonarismo, com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e Flávio e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, aliados afirmam que a família aposta em pressão externa para tentar alterar a situação. Eduardo já havia articulado sanções americanas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar evitar a prisão do pai.
No Brasil, a família manterá espaço para influenciar a oposição. Michelle Bolsonaro (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) foram eleitos para o Senado pelo Distrito Federal e Santa Catarina, respectivamente, e terão mandatos de oito anos. Na Câmara, foram eleitos Renato Bolsonaro (PL-SP), irmão de Jair, e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), filho do ex-presidente.

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