Dívidas empresariais crescem e desafiam economia em Mato Grosso
Os processos de recuperação judicial e falência em Mato Grosso somam R$ 22,6 bilhões, refletindo um cenário de juros altos e restrição de crédito que prejudica o caixa das empresas. Embora tenha havido uma queda na abertura de novos processos, o volume de ações em andamento aumentou, dificultando a conclusão da reorganização financeira.
Segundo dados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) divulgados pelo Jornal A Gazeta, o número total de processos em tramitação cresceu 10,2% entre janeiro e agosto de 2026, passando de 531 para 585 casos. No mesmo período, os novos processos diminuíram 23,5%, de 136 para 104, e os casos encerrados caíram de 64 para 61.
O advogado Euclides Ribeiro, especialista em reestruturação empresarial do Grupo ERS Advocacia, explica que a redução nos novos pedidos junto ao aumento dos processos em andamento reflete a complexidade das recuperações judiciais. Ele destaca que é fundamental aperfeiçoar os procedimentos para que a negociação das dívidas preserve empresas viáveis.
“A recuperação judicial não deve ser um processo sem fim, nem um ambiente onde a atividade empresarial fique presa a disputas desnecessárias”, afirma Ribeiro.
Ele observa que a economia de Mato Grosso, fortemente ligada ao agronegócio, enfrenta desafios próprios. O setor exige altos investimentos antes da colheita e depende de crédito para custear a produção, além de estar sujeito a variações de preços, clima e custos de insumos e logística.
Essa situação pode causar falta de recursos para pagar dívidas no prazo, mesmo quando a empresa possui ativos como máquinas, terras e capacidade produtiva. Assim, ter bens não elimina o risco de falta de dinheiro no caixa.
Ribeiro explica que a expansão baseada na compra de terras e reinvestimento na produção funciona bem com crédito disponível. Porém, quando os financiamentos ficam caros ou escassos, o risco financeiro aumenta.
A recuperação judicial oferece um espaço para negociação coletiva e reestruturação das dívidas. Para ser eficiente, o processo deve ter planos claros, transparência dos devedores e credores dispostos a negociar, sem estimular a inadimplência.
Entre as melhorias necessárias, o advogado destaca a importância de procedimentos claros, administradores judiciais capacitados, magistrados especializados e compromisso com a execução dos planos de recuperação.
“A duração da reorganização deve considerar as características de cada setor. No agronegócio, o ciclo financeiro é mais longo e pode exigir prazos diferentes daqueles do comércio, serviços e indústria, para alinhar os pagamentos à geração de receita”, aponta Ribeiro.
Ele estima que o mercado brasileiro de reestruturação empresarial atende apenas 5% da demanda potencial. A ampliação desse atendimento pode ajudar empresas viáveis a reorganizar suas dívidas e manter suas operações, desde que haja critérios claros e negociações eficientes para recuperar o equilíbrio financeiro.

Deixe seu comentário