Dólar sobe e Bolsa cai com medo de alta dos juros nos EUA
O dólar aumentou 0,36% frente ao real, chegando a R$ 5,12, às 10h30 desta sexta-feira (4/9). Na véspera, a moeda americana teve uma leve queda de 0,07%.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), teve queda de 1,01% no mesmo horário, alcançando 183,2 mil pontos. No pregão anterior, o índice permaneceu quase estável, com baixa de 0,01%, fechando em 185,1 mil pontos.
O dado mais esperado do dia foi o relatório de empregos dos Estados Unidos, conhecido como “payroll” de agosto, que é um dos principais indicadores utilizados pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, para decidir a política monetária do país.
Em agosto, foram criadas 162 mil vagas de trabalho, número bem acima da previsão de 55 mil feita pelos analistas. Em julho, o saldo de empregos havia sido negativo em 21 mil, mas foi revisado para um saldo positivo de 23 mil. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, conforme esperado.
Segundo Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, com sede em Nova York, esses dados indicam uma economia forte e resiliente, que segue crescendo mesmo com dificuldades como o aumento de tarifas e o choque no mercado de petróleo devido à guerra no Irã. “Acredito que o resultado aumenta as chances de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros americana na reunião do Fed em setembro”, afirma. “O número mostra uma economia aquecida, mas o principal fator para as próximas decisões do banco central será a inflação, que será divulgada na próxima semana.”
Marcelo Bassani, sócio da Boa Brasil Capital, avalia que o impacto inicial desses números pode ser negativo para investimentos de risco, como ações em bolsas. “Um ‘payroll’ forte dá espaço para o Fed aumentar os juros”, destaca. “O Ibovespa, que chegou a apresentar 11 altas seguidas e atingiu 188 mil pontos, deve apresentar uma nova tendência.”
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, explica que a resposta imediata do mercado, com alta do dólar e aumento das taxas dos títulos dos EUA, mostra que os investidores passaram a considerar mais provável uma alta dos juros. “A força do mercado de trabalho elimina qualquer dúvida sobre a prioridade do Fed em controlar a inflação, que ainda está acima da meta de 2%”, comenta.

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