Durigan diz que governo não debate congelamento da taxa de juros
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (2/11) que o governo federal não está discutindo uma proposta para congelar a taxa básica de juros do país, a Selic, que atualmente está em 13,75% ao ano. Ele esclareceu que ideias como tabelar os juros ou usar reservas cambiais para esse fim não estão sendo avaliadas.
Essa especulação surgiu a partir de uma nota publicada no domingo (1º/11) pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que mencionou uma possível reunião entre o economista André Lara Resende e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, é reconhecido por sua contribuição para o controle da inflação no Brasil.
O economista havia levantado a hipótese de reduzir a taxa de juros em um artigo publicado no final de setembro, no qual explicou que a medida poderia estimular a queda da inflação, apesar de um possível aumento temporário no curto prazo.
Do lado do governo, Durigan negou que haja agenda marcada para encontro entre Lula e Lara Resende nesta semana e ressaltou que muitos economistas têm se disponibilizado para dialogar com o presidente, mas sem compromissos agendados. A mesma posição foi reafirmada pelo presidente do BNDES, Aloisio Mercadante, que também se manifestou contrário à ideia de tabelamento de juros.
Atualmente, a Selic é a principal ferramenta para controlar a inflação. Quando ela sobe, o crédito fica mais caro, o que reduz o consumo e ajuda a controlar o aumento dos preços. No entanto, taxas elevadas também dificultam o acesso a empréstimos para empresas, o que pode prejudicar o crescimento econômico. Além disso, juros altos elevam os gastos do governo com o pagamento da dívida pública, que em setembro atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
A decisão sobre a taxa Selic cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que deve se reunir na terça-feira (3/11) para analisar se manterá, reduzirá ou aumentará os juros. As expectativas do mercado indicam maior probabilidade de manutenção da taxa.

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