El Niño pode aumentar preços dos alimentos e inflação em 2027
Especialistas apontam que o fenômeno climático El Niño deve provocar um aumento na inflação no Brasil, elevando-a em 0,5 ponto percentual no próximo ano. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) em setembro.
Os efeitos mais intensos do El Niño no país devem começar a ser sentidos na segunda metade de 2026, impactando principalmente as safras que serão colhidas em 2027. No entanto, alguns impactos já podem aparecer ainda este ano. De acordo com o Relatório de Política Monetária, a expectativa de inflação para 2027 subiu de 4,10% para 4,30%, ultrapassando a meta estabelecida.
Um dos fatores para essa alta é o aumento gradual dos preços dos alimentos e custos com alimentação residencial, segundo dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). O Banco Central alertou para os efeitos do fenômeno em culturas importantes como soja, milho, arroz, algodão, café e cana-de-açúcar. O BC destacou que os eventos do La Niña apresentam efeitos variados entre esses cultivos, com impactos positivos para a soja e negativos para o milho, especialmente na segunda safra.
Para o Banco Central, estimar os impactos do El Niño e La Niña na produtividade agrícola é um desafio e os números devem ser analisados com cautela. O relatório ressalta que as projeções para 2027 indicam riscos para a produtividade agrícola e não previsões definitivas, pois outros fatores também influenciam significativamente a variação da produção.
O Ministério da Fazenda também monitora os possíveis impactos do El Niño. Em boletim divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), foi destacado que o fenômeno pode pressionar os preços dos alimentos frescos já em 2026, embora os maiores efeitos aguardem a safra de 2027. A previsão de inflação para 2027 foi revisada de 3,6% para 3,8%, refletindo um El Niño mais intenso que afeta a produção de grãos e, consequentemente, os preços das carnes.
O que é o El Niño
- Fenômeno climático natural causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico perto da América do Sul;
- Altera os ventos e a circulação atmosférica, modificando o padrão de chuvas e temperaturas em diversas regiões;
- No Brasil, costuma trazer mais chuvas para o Sul e seca para o Norte e Nordeste, além de temperaturas mais altas em várias áreas;
- Ocorre a cada 2 a 7 anos e pode durar vários meses;
- Impacta a economia, influenciando a agricultura, geração de energia, abastecimento de água e aumentando o risco de eventos extremos.
Impactos na economia e inflação
Além do aumento dos preços dos alimentos, que afeta diretamente a população, essa pressão inflacionária pode dificultar a redução das taxas de juros. Atualmente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC mantém a taxa básica em 13,75% ao ano para conter a inflação.
Como a alimentação representa um item importante no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a alta nos custos pode acelerar o avanço da inflação, forçando o BC a manter uma política monetária mais rígida por mais tempo. Isso pode resultar em crédito mais restrito para consumidores e empresas durante um período prolongado.

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