Facções dominam comerciantes e moradores com extorsão e medo em Mato Grosso
As facções criminosas em Mato Grosso estão ampliando suas ações para além do tráfico de drogas, afetando diretamente comerciantes e moradores de várias regiões do estado. Esses grupos impõem regras abusivas, cobram taxas ilegais e fazem ameaças para manter controle sobre as áreas dominadas.
Essa situação configura uma espécie de “governança criminal”, onde o medo é constante para quem vive ou trabalha nesses locais. Muitas pessoas deixam de denunciar devido ao receio de retaliações, enquanto comerciantes relatam ter que pagar valores exigidos para manter seus estabelecimentos funcionando.
Um dos desafios para o próximo governo é enfrentar essas organizações e recuperar o controle dos territórios sob influência criminosa. Especialistas também destacam a importância de melhorias no sistema prisional para combater as facções de forma efetiva.
Comerciante de Várzea Grande relata extorsão do Comando Vermelho
J.C., proprietário de um mercado em Várzea Grande, conta que foi obrigado a pagar uma taxa de 5% do faturamento mensal para o Comando Vermelho, sob ameaça constante de represálias que incluíam riscos ao estabelecimento e à sua família.
Além da cobrança, o comerciante precisava divulgar uma “raspadinha da sorte” criada pela facção. O medo afetou sua vida pessoal e familiar, levando-o a fechar o negócio diante do crescente terror e dos valores cobrados.
Distribuidora sofre cobrança por produto vendido
A.R.S., dono de uma distribuidora, relata que a organização criminosa cobrava R$ 1 para cada garrafão de água de 20 litros vendido, além de exigir que vendesse marcas específicas de cigarros contrabandeados e controlasse a origem dos produtos comercializados.
O comerciante viveu em constante medo, temendo tanto as ameaças quanto as consequências legais pelos produtos comercializados.
Moradores ameaçados para pagar taxa de “segurança”
B.M.S., motorista, relata que moradores considerados com melhores condições financeiras recebiam a visita de criminosos que exigiam uma taxa mensal de R$ 100 para suposta segurança da região. Quem não pagasse teria suas casas marcadas como desprotegidas, tornando-as alvos de roubos.
Inicialmente descrente, B.M.S. conversou com outros moradores e confirmou relatos semelhantes, destacando a necessidade urgente de uma segurança pública eficaz para garantir a tranquilidade da população.
Medo e silêncio dificultam o combate
Esses relatos demonstram que o silêncio causado pelo medo é um dos maiores obstáculos para o enfrentamento das facções criminosas. A extensão do controle dessas organizações inclui até mesmo a determinação dos produtos vendidos e quem tem direito à “proteção”.
Autoridades e especialistas enfatizam a importância de ações coordenadas de segurança pública, inteligência e investigação para impedir que essas facções consolidem poder e transformem comunidades em territórios controlados pelo crime.
As informações coletadas são baseadas nos relatos das vítimas, e as acusações serão investigadas pelas autoridades competentes.
✍️ Da redação do Sorriso News MT

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