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Brasil

Grupos do Comando Vermelho cobram até R$150 por botijão e ameaçam moradores

Redação BDN
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Foto: PCERJ

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram a Operação Dominus para combater o monopólio do gás de cozinha exercido por um grupo ligado ao Comando Vermelho (CV).

A investigação revelou que os botijões eram vendidos a preços abusivos, chegando a R$150, e moradores e comerciantes eram obrigados a adquirir o gás apenas desse grupo criminoso. Quem se recusava, sofria ameaças de morte e sequestro.

Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de prisão e 44 de busca e apreensão em cidades como São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói e Rio de Janeiro. A ação resultou no bloqueio de mais de R$ 350 milhões.

O grupo controlava a venda e impunha regras que restringiam a liberdade de comércio nas comunidades dominadas pelo CV. Comerciantes deviam comprar de fornecedores ligados à quadrilha ou pagar taxas periódicas sob ameaça de violência, conforme comunicado da PCERJ.

As cobranças eram organizadas em uma tabela interna chamada “metas do gás”, que ajudava a monitorar os pagamentos feitos pelos moradores e comerciantes.

Uma denúncia feita por um morador da comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, contribuiu para aprofundar as investigações e levar à prisão dos envolvidos.

Segundo o MPRJ, o esquema funcionou entre 2024 e 2025 em várias favelas do estado do Rio de Janeiro. Mensagens apreendidas indicam que os membros do grupo tinham funções específicas, como negociar com distribuidoras, intermediar contatos com traficantes, cobrar comerciantes e repassar recursos às lideranças do Comando Vermelho.

As investigações também identificaram Edgard Alves de Andrade, conhecido como “Doca“, chefão do CV e um dos criminosos mais procurados do Rio, como mentor do esquema. Ele orientava a organização do monopólio para financiar o tráfico de drogas.

Além disso, o investigado principal teria ajudado Doca a fugir durante a megaoperação no Complexo do Alemão. Este último permanece foragido, enquanto o criminoso investigado está preso e à disposição da Justiça.

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