Itamaraty acompanha crise política no Paraguai
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil tem monitorado a situação política e econômica no Paraguai, classificando-a como um tema interno de Assunção. Fontes do Itamaraty informaram ao Metrópoles que acompanham de perto os desenvolvimentos, mas ainda não há previsão de uma declaração oficial.
Recentemente, o Paraguai enfrentou instabilidade após o fechamento do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país. Esse evento desencadeou a renúncia do presidente Santiago Peña, que durante seu mandato foi acionista do banco. Além dele, o presidente e dois diretores do Banco Central do Paraguai também deixaram seus cargos.
Santiago Peña apresentou sua renúncia na tarde de quinta-feira (5/11), após um pedido de impeachment avançar no Congresso paraguaio. A aceitação dessa renúncia ainda depende da aprovação parlamentar, assim como o andamento do processo de impeachment.
No contexto político latino-americano, Santiago Peña é reconhecido como um presidente de direita, alinhado à política externa dos Estados Unidos durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. Apesar das diferenças políticas, ele e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva mantêm uma boa relação e já se reuniram em várias ocasiões.
Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o presidente Lula não deverá se pronunciar publicamente sobre a situação no Paraguai, limitando qualquer manifestação ao âmbito diplomático.
O Banco Central paraguaio declarou a liquidação do Ueno Bank na terça-feira (3/11), alegando insolvência da instituição financeira. A Procuradoria do Paraguai iniciou uma investigação criminal envolvendo o banco, solicitando a prisão de dois de seus dirigentes.
As investigações focam em suspeitas sobre a gestão do banco e empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador, o que poderia ter prejudicado o patrimônio da instituição. A Procuradoria também abriu inquérito sobre possíveis irregularidades cometidas por Santiago Peña.
Antecipando o avanço do processo de impeachment, o presidente optou pela renúncia, que agora será analisada pelo Congresso. A imprensa local acredita que os parlamentares podem rejeitar a renúncia, conduzindo o processo de impeachment para que Santiago Peña não obtenha foro privilegiado.
No Paraguai, a renúncia presidencial garante ao ex-mandatário o cargo de senador vitalício, mantendo seus direitos legislativos.

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