Mais de 40% das indústrias já escolheram o mercado livre de energia
Nos últimos dois anos, um número crescente de indústrias brasileiras tem optado pelo mercado livre de energia, buscando melhores condições para suas operações.
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados em 30 de julho de 2026, indicam que 41% das empresas migraram para esse mercado desde o início de 2024, quando novas regras facilitaram o acesso ao ambiente de contratação livre. A principal razão apontada para essa mudança é a redução dos custos, com 73% das empresas afirmando que conseguiram diminuir sua conta de luz.
O preço da energia é um fator crucial para a competitividade, conforme 83% dos industriais consultados. Além disso, 67% relataram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção. Esse cenário destaca a importância do mercado livre como estratégia para controlar despesas, mencionada por 30% dos entrevistados.
Entre as indústrias atendidas em baixa tensão ainda no mercado regulado, 37% pretendem migrar para o mercado livre, indicando potencial de crescimento especialmente entre empresas menores.
Competitividade e participação por porte
O mercado livre concentra a maior parte das grandes indústrias, com 63% delas comprando energia nesse ambiente. Entre as pequenas empresas, esse percentual é de 22%, enquanto 45% permanecem na opção regulada.
Para o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira, é fundamental melhorar os sinais de preço por meio da adoção de tarifas dinâmicas que variem conforme geração, horário e demanda. Ele também ressalta a necessidade de revisar subsídios que elevam o preço da conta de energia.
O setor elétrico passa por momentos de instabilidade, influenciada por fatores globais e geopolíticos, o que pressiona ainda mais os custos das indústrias.
Nos últimos 12 meses, 62% das indústrias relataram impacto nas variações do preço da energia, sendo que 3% consideraram o aumento superior a 30%, 20% avaliaram em torno de 10% a 30% e 39% perceberam reajustes menores que 10%.
Quase duas em cada três empresas adotaram medidas para reduzir gastos, como a migração para o mercado livre e iniciativas de autogeração e eficiência energética, mencionadas por 13%. Por outro lado, 28% não implementaram ações para esse fim.
Setores em destaque
O setor de calçados lidera o movimento para o mercado livre, com 47% das empresas migrando. Indústrias de produtos de borracha combinam estratégias, com maior participação em autogeração e contratação livre, enquanto equipamentos de informática e eletrônicos focam mais em eficiência energética.
A CNI destaca que o crescimento do mercado livre reflete a busca das empresas por previsibilidade e redução dos custos em um ambiente tarifário desafiador. A entidade também defende mudanças no modelo tarifário para tornar os preços mais dinâmicos e revisar subsídios que encarecem a energia.
A sondagem foi realizada em abril de 2026 com 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, incluindo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

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