Margem Equatorial recebe 501 blocos para exploração de petróleo
A Margem Equatorial do Brasil foi ampliada com a inclusão de 11 novos setores exploratórios, totalizando 501 blocos para a exploração de petróleo. A área abrange cerca de 380 mil quilômetros quadrados e foi aprovada pela diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, nesta sexta-feira (2).
Essa expansão foi possível graças ao reconhecimento, em 2025, da extensão da plataforma continental brasileira pela Organização das Nações Unidas (ONU). A nova área tem tamanho semelhante ao do Mato Grosso do Sul e da Alemanha.
De acordo com a ANP, os novos setores fazem parte da chamada Nova Fronteira Exploratória da Margem Equatorial, região com grande potencial para descoberta de petróleo e gás natural. A área, localizada ao norte das regiões Norte e Nordeste do Brasil, tem despertado interesse devido a descobertas recentes na Guiana e no Suriname.
Também nesta sexta-feira, a Petrobras anunciou uma segunda descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, área integrada na Margem Equatorial. A empresa acredita que a exploração no norte do país é fundamental para manter suas reservas, diante da possível queda da produção do pré-sal na década de 2030.
Cláudio Nunes, diretor executivo de Exploração e Produção do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), destacou que a expansão permite que a indústria investigue novas áreas e aprofunde o conhecimento geológico da região. Ele ressaltou que a iniciativa é um sinal positivo para empresas e investidores, contribuindo para evitar que o Brasil precise importar petróleo entre 2033 e 2035.
Os 501 blocos estão localizados nas bacias de Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão, todos em áreas com profundidade superior a três mil metros. A ANP ressaltou que a inclusão desses blocos não significa oferta imediata, pois será realizada uma análise criteriosa para futuras disponibilizações conforme as normas regulatórias vigentes.
A agência também informou que a análise socioambiental considerou unidades de conservação e não identificou impedimentos para a delimitação proposta. A antecipação da definição dos setores facilita atividades preparatórias, como coleta de dados sísmicos e geoquímicos, essenciais para o planejamento da exploração.
O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), ligado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), reconhece a ampliação como uma oportunidade para ampliar as reservas nacionais. Francismar Ferreira, coordenador de pesquisas do Ineep, enfatiza que a exploração deve estar alinhada à discussão de políticas energéticas e regulatórias, visando o desenvolvimento produtivo e tecnológico do país.
Ferreira ainda ressalta que os recursos gerados pelo petróleo devem ser usados pelo Estado em metas estratégicas como adaptação às mudanças climáticas, combate à pobreza energética e transição para fontes renováveis. Ele expressou preocupação sobre a participação de empresas multinacionais e defende que o modelo da Margem Equatorial preserve o controle nacional das reservas e o fortalecimento da Petrobras, inserindo a exploração em uma estratégia de longo prazo para o desenvolvimento do Brasil.
As informações foram fornecidas pela Agência Brasil.

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