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Brasil

Mudança no tom do PL sobre fraude e fuga de Flávio

Redação BDN
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Foto: Avião fez uma escala em Equador após sair da ArgentinaJoe Raedle/Getty Images

O Partido Liberal (PL) alterou sua postura em relação às acusações de fraude nas eleições feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi derrotado nas eleições presidenciais. Inicialmente, Flávio e o partido afirmaram que recorriam à Justiça para tentar anular o pleito. Posteriormente, o PL reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos bastidores, preocupa o desgaste da imagem do partido para as eleições de 2028 e 2030, além dos riscos de multas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como já ocorreu em 2022.

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e as acusações sem provas de fraude geraram reações entre aliados e nos três poderes. Flávio divulgou uma carta alegando fraude no processo eleitoral, mas não apresentou evidências.

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, declarou que as eleições de 2026 ocorreram dentro da normalidade e respeitando as normas legais e constitucionais. Aliados de Flávio defenderam a confiabilidade das urnas eletrônicas. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, assegurou que o PL não possui provas de fraude.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se manifestou: reforçou que é necessário respeitar o resultado das eleições e agir dentro das instituições democráticas. Ele destacou que, apesar do sentimento de indignação de Flávio e de muitos brasileiros, o caminho correto é aceitar os resultados e seguir em frente.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou a divulgação da carta de Flávio Bolsonaro e afirmou desconhecer seus planos de deixar o país. Flávio chegou aos EUA após passar pela Argentina e Equador, autodeclarando-se inicialmente presidente eleito do Brasil, depois corrigindo para líder da nação.

O cientista político André Rosa avalia que a fuga de Flávio prejudica a oposição de direita, que busca construir alianças para futuras eleições. Segundo ele, novas lideranças, como Tarcísio de Freitas, podem emergir nesse cenário.

O PL foi multado em R$ 22,9 milhões em 2022 por litigância de má-fé ao contestar o resultado eleitoral do segundo turno. André Rosa destaca que o partido busca equilíbrio para as próximas disputas, tentando se afastar de discursos extremos que provocaram ataques golpistas em 2023.

Para o cientista político Gustavo Ribeiro, o PL mudou sua postura desde 2022. Ele explica que, enquanto contrariar o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha alto custo, em 2026 contrariar Flávio Bolsonaro tem menos impacto, mas seguir uma tese de fraude sem provas traz riscos legais.

A cientista política Carolina Venuto lembra que, com a conquista de grandes bancadas na Câmara e no Senado, o PL não deveria questionar a lisura do processo eleitoral, o que poderia afetar a legitimidade dos seus próprios resultados.

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