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Agronegócio

Nova bactéria pode causar problema nos olhos dos bovinos

Redação BDN
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Foto: Reprodução

Um grupo de pesquisadores da Embrapa, em colaboração com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo, descobriu uma nova bactéria relacionada à ceratoconjuntivite, conhecida popularmente como “mal do olho” em bovinos. A bactéria foi nomeada Moraxella tarda sp. nov e isolada de bovinos da raça Hereford com sintomas iniciais da doença.

A validação da nova espécie seguiu normas internacionais, incluindo a guarda de amostras nas coleções microbiológicas da Bélgica, Portugal e Brasil, garantindo o reconhecimento oficial da bactéria. O trabalho começou com coletas no Rio Grande do Sul e teve análises realizadas em laboratórios de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Marta Martins, pesquisadora responsável pela publicação, destacou a importância da cooperação entre as equipes para alcançar esse avanço científico. O estudo mostrou que a Moraxella tarda apresenta características genéticas únicas que a diferenciam de outras espécies do gênero, como Moraxella bovis e Moraxella bovoculi.

Essa descoberta pode explicar variações no sucesso das vacinas atuais, que não incluem todas as espécies da bactéria envolvidas na doença. Fernando Cardoso, pesquisador da Embrapa, ressaltou que a inclusão dessa nova bactéria em vacinas pode melhorar o controle da enfermidade, protegendo melhor os bovinos.

A ceratoconjuntivite afeta principalmente bezerros de raças europeias, causando inflamação e dor nos olhos, além de reduzirem a alimentação e o crescimento dos animais. Estudos anteriores já identificaram outras espécies do gênero Moraxella no Brasil associadas à doença, reforçando a complexidade da infecção.

Além da identificação da bactéria, os pesquisadores vêm avançando em modelos que evitam testes invasivos em animais, utilizando córneas coletadas em frigoríficos para analisar a interação entre bactéria e tecido ocular. Essa técnica contribui para o bem-estar animal, ao mesmo tempo em que permite o desenvolvimento de vacinas e medicamentos mais eficazes.

A Embrapa também trabalha em programas que utilizam seleção genética para identificar bovinos mais resistentes à ceratoconjuntivite, apoiando a criação de animais que sofram menos com a doença.

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