PF cita caso Lulinha e afirma que Mendonça agiu conforme espectro político
A Polícia Federal (PF) mencionou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ao destacar uma possível diferença de critérios adotados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme a posição política das pessoas envolvidas nos casos sob sua análise.
O dado consta em relatório da PF citado em decisão do ministro Alexandre de Moraes, enviado ao presidente do STF, Edson Fachin. Na decisão, Moraes solicitou a inclusão de Mendonça no Inquérito 4.781, apelidado de “inquérito das fake news”.
No documento, a PF compara a situação de Lulinha com a do ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto. Em reunião realizada em 13 de agosto de 2026, Mendonça avaliou que a atuação de ACM Neto parecia estar dentro dos limites legais. Entretanto, o relatório aponta que a situação de Lulinha é semelhante, sugerindo que padrões diferentes foram adotados conforme o viés político das pessoas investigadas.
Em resumo, a PF identificou casos parecidos, mas avaliados de forma distinta pelo relator.
Para Mendonça, a ação de ACM Neto estava dentro da lei, e a corporação classificou isso como uma possível “assimetria”, sem afirmar um favorecimento total.
Moraes usou essas informações para reforçar sua acusação de que Mendonça perdeu a imparcialidade na condução dos processos.
Na decisão, o ministro aponta indícios de “quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos” por parte de Mendonça. Moraes também acusou o colega de interferir nas atividades da PF, participar de negociações de colaboração premiada e direcionar investigações por motivos pessoais e políticos.
O conflito entre os ministros ganhou força após Mendonça, relator do caso do Banco Master, ordenar que a PF aprofundasse investigações sobre uma suposta rede de influência do banqueiro Daniel Vorcaro, revelando mensagens relacionadas a Moraes.
Segundo relatos, os dois tiveram uma discussão acalorada no gabinete de Mendonça em 31 de agosto, quase resultando em confronto físico.
A Procuradoria-Geral da República também questionou a atuação de Mendonça, alegando que a investigação contra um ministro do STF precisa de aprovação do plenário da Corte.
O presidente do STF, Edson Fachin, instaurou um procedimento para analisar o caso e notificou as partes envolvidas para que se pronunciem em cinco dias. Dessa forma, as acusações feitas por Moraes, incluindo o tratamento político diferenciado observado nos relatórios da PF, passarão por avaliação no Supremo Tribunal Federal.

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