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Brasil

Planalto não estranha apoio de assessor de Trump a Flávio

Redação BDN
Redação BDN

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3 min de leitura
Foto: Joe Raedle/Getty Images

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não ficou surpreso ao saber que a Casa Branca participou diretamente da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos.

Segundo apuração do jornal norte-americano The New York Times, o jato particular usado na viagem de Flávio Bolsonaro, sua esposa e as duas filhas foi organizado por Jason Miller, aliado da família Bolsonaro e integrante da comunicação da Casa Branca.

Fontes do governo afirmam que as gestões de Donald Trump e Javier Milei, na Argentina, estiveram envolvidas na operação que levou o senador aos EUA.

O governo brasileiro não pretende tomar medidas diplomáticas no momento e aguarda o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para a próxima terça-feira, antes de decidir sobre os próximos passos diante da crise nas relações bilaterais.

As eleições renovarão todas as cadeiras da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e 36 governos estaduais. Pesquisas indicam que os republicanos correm risco de perder o controle de pelo menos uma Casa do Congresso, enfraquecendo a influência de Trump.

Segundo fontes reservadas do Palácio do Planalto, o presidente Lula evita comentar o caso para não associar o governo à controvérsia.

De acordo com o The New York Times, Flávio Bolsonaro e sua família entraram nos Estados Unidos por meio do chamado “parole”, mecanismo que permite permanência temporária por motivos humanitários ou benefício público.

Na quarta-feira (28/10), o presidente dos EUA confirmou que Flávio recebeu permissão para entrar no país.

O senador planeja solicitar em breve o green card, que concede residência permanente nos EUA. Segundo o jornal, o pedido pode ser acelerado, como foi para o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, que obteve residência permanente em julho deste ano.

Registros públicos indicam que Flávio Bolsonaro apresentou o passaporte diplomático brasileiro, já cancelado, ao chegar nos EUA. Em 26/10, a Polícia Federal solicitou judicialmente que ele entregasse os passaportes em 24 horas, ordem que não foi cumprida. A investigação envolve supostos vínculos de Flávio com o advogado Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro.

Também há investigações sobre suspeitas de financiamento irregular do filme “Dark Horse”, que trata do ex-presidente Jair Bolsonaro, com dinheiro atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Segundo autoridades migratórias argentinas citadas pelo jornal, Flávio Bolsonaro, sua esposa e filhas entraram na Argentina às 22h50 da terça-feira pela Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, embora a polícia federal argentina não tenha registro da entrada.

Cerca de 40 minutos depois, embarcaram em um avião da empresa privada Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador, seguindo depois para Miami. O jato particular foi providenciado por Jason Miller.

Uma fonte familiarizada com a logística afirmou que o plano começou a ser organizado na segunda-feira, após a ordem para entregar os passaportes.

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