Reforma no voto distrital pode limitar puxadores de voto
A Câmara dos Deputados está avaliando uma mudança no sistema eleitoral do Brasil que pode transformar a forma como os deputados federais são eleitos. A proposta de adoção do voto distrital misto tem como objetivo diminuir a influência dos puxadores de votos, como Nikolas Ferreira (PL-MG), que com votações muito altas ajudam a eleger outros candidatos do mesmo partido.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), está negociando com líderes partidários a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para substituir o atual modelo proporcional de lista aberta. A expectativa é que a votação avance ainda em 2026.
Segundo o texto em análise, o novo sistema seria adotado definitivamente em 2034, com uma possível fase de transição pelo sistema distritão em 2030.
O deputado Domingos Neto (PSD-CE), responsável pelo projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deve conduzir a matéria no plenário.
Como funcionam os modelos eleitorais
- Atualmente: o sistema proporcional de lista aberta contabiliza os votos individuais dos candidatos e os votos destinados aos partidos para definir a quantidade de cadeiras de cada legenda.
- Em 2030 (distritão): os candidatos mais votados individualmente são eleitos, sem transferência de votos para colegas do mesmo partido. Isso pode favorecer políticos populares e prejudicar partidos menores.
- Em 2034 (voto distrital misto): metade das cadeiras será preenchida por candidatos eleitos diretamente em distritos eleitorais, e a outra metade por listas partidárias proporcionais. O eleitor terá dois votos: um para escolher o candidato e outro para o partido.
Transição e impacto do voto distrital misto
O sistema atual permite que candidatos com grande votação, conhecidos como puxadores de votos, ajudem a eleger colegas de legenda com menos votos. No entanto, o voto distrital misto altera essa lógica, limitando essa transferência automática de votos.
Com a mudança, metade das cadeiras será ocupada pelos mais votados em distritos específicos e a outra metade distribuída proporcionalmente pelos votos dos partidos. O eleitor poderá votar separadamente no candidato e na legenda, garantindo maior equilíbrio.
Apesar disso, os partidos continuarão tendo papel importante na composição da Câmara, pois a distribuição das cadeiras das listas partidárias dependerá do desempenho das legendas.
Debate político
A proposta divide os parlamentares. Partidos do Centrão, como PP, União Brasil, PSD e Republicanos, apoiam a mudança. Já o PL e o PT mostram resistência à ideia.
Os presidentes dos partidos PSDB, Aécio Neves, e PSD, Gilberto Kassab, são defensores da reforma do sistema eleitoral.
O debate ganhou força após as eleições de 2026, quando candidatos como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato (PL-SP) superaram três milhões de votos cada, ampliando a presença do PL na Câmara.
Além disso, o PL conquistou 121 cadeiras das 513 disponíveis, enquanto o Centrão perdeu 22 em relação a 2022. Isso aumentou a pressão para a aprovação da mudança.

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