TRE-MT lança tecnologia para proteger voz de candidatos contra clonagem por IA
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) desenvolveu uma tecnologia para proteger as vozes dos candidatos ao governo estadual contra clonagem e manipulação por inteligência artificial (IA). A ferramenta, criada em parceria com a empresa ElevenLabs, visa impedir a disseminação de áudios falsos e declarações fraudulentas durante as eleições.
O sistema funciona por meio do cadastro de uma amostra vocal original. Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MT, Leon Santos, após o registro, qualquer tentativa de imitar essa voz na plataforma da empresa é bloqueada automaticamente.
A participação é voluntária, sendo que nesta primeira fase o TRE-MT convida os candidatos ao cargo de governador a registrarem suas vozes. A presidente da corte eleitoral, desembargadora Serly Marcondes Alves, já aderiu à iniciativa e cadastrou seu timbre vocal.
“A inteligência artificial traz vantagens, mas exige cuidados para evitar enganos e divulgação de falas falsas atribuídas a figuras públicas”, declarou a desembargadora.
No entanto, especialistas alertam que a solução não garante proteção total contra todos os tipos de deepfake. O bloqueio automático ocorre somente dentro da plataforma da ElevenLabs, deixando outras ferramentas concorrentes fora do alcance direto do sistema. Além disso, o método utiliza uma lista restrita de vozes protegidas, que requer uma amostra vocal com padrões técnicos específicos.
A estratégia tem caráter preventivo, buscando detectar fraudes antes que se espalhem nas redes sociais, conforme explicou o assessor de comunicação do TRE-MT, Daniel Dino. O projeto faz parte de um acordo técnico com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e prevê também a rastreabilidade de conteúdos suspeitos, além de fornecer gratuitamente recursos vocais para ampliar a acessibilidade a eleitores com deficiência visual ou pouco familiarizados com tecnologia nos sites oficiais.
Entre julho e agosto de 2026, a Justiça Eleitoral implementou o Voice CAPTCHA, que pede a leitura de trechos em tempo real para confirmar a identidade em gravações. As normas do TSE proíbem o uso de deepfakes em campanhas eleitorais e recomendam a identificação clara do conteúdo gerado por IA, enquanto o Congresso Nacional analisa aprimoramentos legais para o setor.

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