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Polícia Sorriso

Três advogados em Mato Grosso são investigados por falsificar decisão judicial

Redação BDN
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3 min de leitura
Foto: João Vieira

A Polícia Civil de Mato Grosso iniciou, nesta quarta-feira (28), a Operação Reescrita com a finalidade de investigar três advogados suspeitos de falsificar documentos públicos e participar de uma organização criminosa. Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em locais ligados aos suspeitos em Cuiabá.

As ordens para a operação foram emitidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá. A investigação está sendo conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

As buscas ocorreram em três residências e em um escritório de advocacia. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) acompanha todo o andamento da operação.

Início da investigação

O caso começou quando a Polícia Civil recebeu informações sobre uma possível decisão judicial falsa que autorizava a transferência de um preso da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Mato Grosso. O preso é apontado como vice-presidente de uma facção criminosa.

A suposta decisão previa a transferência antes do término do prazo determinado em uma decisão judicial anterior.

Em junho de 2025, foi feito um pedido de transferência à Justiça, e, em dezembro, dois dos advogados investigados foram até o gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá para pedir providências baseadas em uma decisão que, segundo eles, teria sido emitida em novembro.

Uma cópia do documento também foi enviada para análise.

Análise do documento

Servidores da unidade judicial verificaram que a decisão apresentada não havia sido assinada pelo magistrado responsável e que não constava nos registros do processo. Também foram identificadas inconsistências no arquivo, como um código de validação errado e diferenças em relação aos padrões oficiais do sistema eletrônico de execução penal.

Uma análise técnica indicou que o arquivo tinha sido editado externamente.

Segundo os investigadores, uma das advogadas pode ter participado da edição do documento, enquanto os outros dois advogados teriam apresentado e utilizado o arquivo perante o Judiciário.

Coleta de provas

Os mandados de busca e apreensão têm o objetivo de recolher aparelhos eletrônicos como celulares, computadores e notebooks, além de documentos e mídias que possam ajudar a esclarecer a origem do arquivo e a participação dos investigados.

A investigação seguirá a fim de entender a circulação do documento e as possíveis conexões entre os envolvidos.

Origem do nome da operação

A operação recebeu o nome Reescrita devido à suspeita de que um documento judicial anterior teria sido modificado para criar uma nova decisão que autorizasse a transferência do preso para Mato Grosso.

O caso continua em andamento, e os investigados são considerados inocentes até decisão judicial final.

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