Aliados pressionam Alcolumbre e preocupam governo e PT
Aliados do governo têm pressionado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), levantando preocupação entre líderes do PT e governistas. A tensão aumentou depois que o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que Alcolumbre poderia ser visto como um “inimigo” se não avançasse a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala de trabalho 6×1.
O comentário de Uczai foi mal recebido no Senado e considerado exagerado por autoridades do Planalto, que esclareceram que a fala não representa as bancadas petistas e governistas no Congresso.
Ministros que tentam reaproximar o Palácio do Planalto e o Senado veem a provocação como um obstáculo às negociações com Alcolumbre.
A relação entre Davi Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) piorou após a indicação e rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, os encontros entre os dois têm sido escassos, o que dificultou o andamento de pautas importantes, incluindo a PEC da escala 6×1.
A PEC, aprovada pela Câmara em maio, é uma prioridade para o terceiro mandato de Lula e foco na comunicação para sua reeleição. No entanto, desde sua chegada ao Senado, a proposta está parada na mesa de Alcolumbre, que ainda não enviou a matéria para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Davi Alcolumbre foi um aliado importante de Lula no início do mandato, tendo indicado ministros como Waldez Góes para o Desenvolvimento Regional e Frederico Siqueira para as Comunicações. A crise começou em novembro, quando a indicação de Jorge Messias para o STF foi contestada, com Alcolumbre defendendo outro candidato. A rejeição final de Messias pelo Senado, com Alcolumbre como principal articulador, aprofundou o desgaste.
A relação também sofreu com disputas por indicações para agências reguladoras e análise de vetos presidenciais.
Em resposta às declarações de Uczai, Alcolumbre afirmou que “ameaças e tentativas de intimidação não serão toleradas”, ressaltando que a pauta do Senado é uma prerrogativa da presidência da Casa que não se submete a pressões político-eleitorais.
Ele tem reclamado da pressão nas redes sociais, classificando algumas críticas como ataques pessoais, incluindo postagens dos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP), além do ministro Guilherme Boulos.
Para parlamentares do PT, o tom adotado por Uczai e outros aliados cria mais dificuldades no momento em que Alcolumbre dava sinais de abertura ao diálogo.

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