Brasília manda nas regras e o eleitor fica em segundo plano
A política brasileira mostra mais uma vez seu lado tradicional e centralizado, onde as decisões são tomadas longe da base e a influência local é deixada de lado. Em Brasília, acordos são feitos entre líderes nacionais sem consulta aos representantes municipais e ao eleitorado.
No último caso envolvendo o Partido Liberal (PL), o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, ordenou que prefeitos, vereadores e deputados em Mato Grosso não apoiem o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), rival de Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Palácio Paiaguás.
Essa determinação veio após uma visita de lideranças do estado a Brasília, como o deputado federal José Medeiros, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e o primeiro-suplente Odílio Balbinotti Filho. O motivo da ida foi a insatisfação com uma aliança imposta com o MDB, que colocou uma deputada estadual como candidata ao Senado ao lado de Fagundes, o que provocou descontentamento de prefeitos locais.
Mesmo diante da resistência, a cúpula do PL confirmou o acordo com o MDB, permitindo que ninguém seja obrigado a apoiar a candidatura do partido aliado, mas proibindo que se apoie Pivetta. Essa situação mostra a coerção que prevalece no partido em nome dos interesses nacionais, mesmo que prejudique a realidade municipal.
A consequência é a continuidade de uma política centralizadora e autoritária, onde decisões são impostas de cima para baixo, ignorando as necessidades reais da população e a vontade dos eleitores. A falta de liberdade para que representantes locais expressem suas opiniões reflete o medo da liderança nacional de perder o controle sobre os votos e as alianças políticas.

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