CNA discute prioridades para logística e transporte no país
A Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu na quinta-feira, 27, para discutir o Plano Nacional de Logística (PNL 2050) e estabelecer as prioridades para facilitar o escoamento da produção agropecuária.
Na abertura do encontro, o presidente da Comissão, Mário Borba, ressaltou a importância do tema para o desenvolvimento do país. Ele mencionou a missão técnica da CNA feita na BR-319, que mapeou os problemas enfrentados pelo setor no transporte rodoviário.
Os dados coletados serão organizados em um documento orientador que poderá ajudar em ações futuras. A subsecretária de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, Gabriela Monteiro Avelino, apresentou a metodologia usada na elaboração do plano, que conta com a participação do governo, setor privado e sociedade civil.
O plano tem como objetivo guiar o planejamento a longo prazo da infraestrutura de transporte no Brasil. Gabriela destacou que entrevistas foram realizadas em todas as regiões para identificar gargalos no setor produtivo, destacando 31 prioridades principais e a necessidade de manutenção dos corredores que movimentam 80% das exportações brasileiras.
A subsecretária enfatizou que o investimento estratégico em manutenção é essencial para preservar a infraestrutura existente e que o planejamento integrado dos diferentes modos de transporte é vital para evitar novos problemas, especialmente em acessos aos portos.
O PNL 2050 também prevê ampliar corredores como a Ferrogrão, aumentando a capacidade de transporte e reduzindo a pressão sobre as rodovias. A sustentabilidade foi incluída em todos os pontos de prioridade, e o plano procura antecipar riscos e fortalecer o diálogo ambiental desde as fases iniciais dos projetos.
Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão, afirmou que a CNA e as federações estaduais tiveram papel ativo na construção do plano, iniciado em 2025, que incorporou 80% das demandas levantadas pelos estados para o setor. Ela destacou que a inclusão da questão da armazenagem completará o planejamento logístico.
Tabelamento de frete
A reunião também abordou mudanças na Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut), Luís Henrique Baldez, detalhou os impactos da Lei nº 15.485/2026 e a necessidade de regulamentar as novas normas prioritariamente.
Baldez apontou a necessidade de ajustes conceituais, metodológicos e operacionais e defendeu uma estratégia conjunta entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para lidar com os vetos presidenciais ao texto. Entre as questões discutidas estão tabelas diferenciadas para tipos de cargas, critérios de custos mínimos e fiscalização.
Ele destacou que quatro insumos – combustível, mão de obra, pneus e depreciação do veículo – representam cerca de 80% do custo do frete. Além disso, alertou para o limbo jurídico atual, pois o Supremo Tribunal Federal ainda não decidiu sobre a constitucionalidade da política.
Elisangela Lopes reforçou que a CNA acompanha essas discussões há anos e continuará atuando para que a ANTT cumpra sua função regulatória.
Produção de trigo
A Comissão também discutiu o mercado de trigo no Brasil, com apresentação do pesquisador Rafael Mingoti, da Embrapa Territorial. Ele apresentou a plataforma Trigo no Brasil, uma ferramenta que reúne dados estratégicos para a cadeia produtiva, incluindo produção, regiões de cultivo, importação, exportação, consumo e custos.
Segundo os dados, o Brasil ocupa o 17º lugar na produção mundial de trigo, respondendo por 1,11% da produção global.

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