Defesa de Lulinha pede investigação de vazamentos à Polícia Federal
Dois advogados do grupo Prerrogativas solicitaram à Polícia Federal uma investigação sobre o vazamento de informações sigilosas relacionadas a apurações envolvendo suspeitas de fraudes na Previdência e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido é assinado pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. Carvalho defende Lulinha e coordena a campanha à reeleição de Lula em São Paulo.
O documento menciona o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, o coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho, e o candidato a vice, deputado Alfredo Gaspar, como pessoas que devem ser incluídas na apuração.
De acordo com os advogados, informações protegidas por segredo de Justiça vêm sendo divulgadas sem que se saiba a origem. Eles pedem que a PF identifique quem teve acesso a esses dados e investigue o caminho dos documentos dentro da Polícia Federal, do Supremo Tribunal Federal e da CPMI do INSS, comissão na qual Gaspar foi relator.
Os advogados afirmam que os conteúdos divulgados têm ocorrido de forma fracionada e alinhada ao calendário eleitoral. Eles solicitam análise dos registros de acesso para determinar quem manuseou as informações, quando e em quais circunstâncias.
Segundo o pedido encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o objetivo é avaliar uma possível quebra na cadeia de custódia das provas, sem questionar as investigações em si.
O material envolve dados sobre fraudes em descontos previdenciários e operações do Banco Master. Partes do conteúdo relacionam-se a Lulinha e incluem conversas extraídas do celular da lobista Roberta Luchsinger, que mencionam também Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
Os advogados destacam que essas conversas constavam em relatórios da PF enviados ao STF, mantidos em sigilo, mas a origem dos vazamentos ainda não foi identificada. “Cada órgão nega a responsabilidade pelo vazamento”, dizem.
Lulinha é alvo de ao menos três inquéritos autorizados pelo STF, que investigam suspeitas de tráfico de influência, corrupção e favorecimento em contratos do governo federal.
A defesa nega irregularidades, esclarecendo que Lulinha atua no setor privado e que as quebras de sigilo não apresentaram provas contra ele.
Em relação a Flávio Bolsonaro, Gaspar e Rogério Marinho, o pedido menciona diálogos entre Roberta e Lulinha que a campanha de Flávio teria usado para divulgação. Os advogados pedem a inclusão desses nomes na apuração devido a sua atuação na CPMI do INSS e na campanha presidencial.
O documento pede ainda que as informações envolvendo esses três sejam encaminhadas à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal, bem como à área eleitoral do Ministério Público para avaliar possível abuso de poder político.
Os advogados também solicitam que a PF identifique quem teve acesso ao material dentro da corporação, com datas e motivos, e façam levantamento similar no STF. No caso da CPMI, pedem informações sobre documentos entregues a parlamentares e seu destino após o encerramento da comissão.
Por fim, reforçam que o pedido não visa identificar jornalistas ou suas fontes, respeitando a liberdade de imprensa.

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