Doença ameaça a soja em Mato Grosso e preocupa produtores
Com a aproximação da safra 2026/2027, produtores de soja em Mato Grosso precisam redobrar a atenção para a podridão de vagens e grãos, uma doença silenciosa que tem avançado e pode prejudicar a produtividade e a qualidade da colheita. A enfermidade, causada principalmente pelos fungos dos gêneros Diaporthe e Fusarium, tem aparecido cada vez mais e atingido novas regiões do estado.
Identificada inicialmente em 2018/2019 no Médio-Norte de Mato Grosso, área conhecida pela grande produção de soja, a doença já se expandiu para o Oeste, alcançando locais como Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra. Este avanço requer atenção no planejamento da próxima safra.
O problema se manifesta durante o enchimento dos grãos, quando a produtividade normalmente já está definida, o que torna os prejuízos ainda maiores. Na fase conhecida como estádio R5, os produtores percebem o apodrecimento das vagens e dos grãos, que pode piorar conforme as condições climáticas e a sensibilidade das cultivares utilizadas.
Pesquisas feitas pela Embrapa e parceiros em municípios como Lucas do Rio Verde, Sinop, Sorriso e Nova Mutum apontam que a escolha da cultivar é fundamental, pois algumas variedades apresentam maior resistência à doença. Assim, não basta escolher a cultivar com maior potencial produtivo; é preciso considerar também sua tolerância à enfermidade.
Outro ponto importante é a época do plantio. Estudos indicam que as áreas plantadas mais tarde apresentam maior incidência da doença e menor rendimento, reforçando a necessidade de planejamento adequado para a semeadura.
O controle da podridão não depende apenas do uso de fungicidas. Em experimentos realizados em Mato Grosso e Rondônia, programas de fungicidas reduziram a doença e aumentaram a produtividade, além de controlar outras enfermidades da soja. Porém, o manejo químico deve ser parte de uma estratégia integrada que inclui a escolha da cultivar, o histórico da área e o calendário de plantio, para evitar a resistência dos fungos.
O principal alerta para 2026/2027 é a expansão da doença para novas regiões, o que eleva os riscos para mais produtores. Entre as medidas recomendadas estão:
- Selecionar cultivares mais resistentes;
- Evitar o uso excessivo de uma única variedade;
- Planejar corretamente o período de plantio;
- Monitorar os sintomas durante o enchimento dos grãos;
- Aplicar fungicidas com rotação de princípios ativos;
- Evitar aplicações repetidas do mesmo produto para reduzir o risco de resistência.
Embora a pesquisa continue em andamento para aprimorar as recomendações, especialistas alertam que a podridão de vagens e grãos passou a ser uma ameaça significativa em Mato Grosso. Diante de margens mais apertadas e a busca por eficiência, antecipar e gerenciar riscos fitossanitários é tão importante quanto outros cuidados na produção.

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