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Brasil

Eleição traz foco para política externa do próximo presidente

Redação BDN
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Foto: Lula e Trump na MalásiaAndrew Harnik/Getty Images

Em 2026, a política externa se tornou um tema central nas campanhas presidenciais devido às tensões geopolíticas, guerra tarifária e ameaças à soberania nacional. Os candidatos dedicam capítulos inteiros de seus programas às propostas relacionadas à pauta internacional, abordando desde o combate ao crime organizado até questões sobre minerais críticos.

Esse tema ganhou destaque após o aumento das tarifas e sanções aplicadas pelos Estados Unidos (EUA) ao Brasil desde o segundo semestre de 2025. Desde então, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual candidato à reeleição, e seus adversários têm explorado o assunto sob diferentes perspectivas para conquistar apoio eleitoral.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles ressaltam que usar pautas internacionais para ganhos políticos não é novidade e tem sido prática de líderes mundiais, como Donald Trump após o aumento das tarifas, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em meio à guerra na Ucrânia.

No cenário atual, a relação com os Estados Unidos, a construção de alianças comerciais e a integração com países vizinhos são temas importantes para os candidatos ao Palácio do Planalto, constituindo desafios para o próximo governo. Além disso, o combate ao crime organizado, a política para minerais críticos e terras raras, e as plataformas digitais também ganham relevância nas relações com parceiros internacionais.

José Luiz Niemeyer, professor do Departamento de Relações Internacionais do Ibmec, destaca que o próximo presidente deverá manter uma posição neutra em relação às principais potências, como EUA, China e União Europeia, em um mundo cada vez mais fragmentado.

Ele também aponta que, caso o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, seja eleito, é provável um alinhamento maior com os Estados Unidos. Por outro lado, se Lula conseguir um quarto mandato, a expectativa é de uma convivência pacífica com o governo republicano, apesar das tensões recentes. Niemeyer observa que Trump enfrenta perda de apoio no Congresso e na população, o que pode limitar seu poder nos próximos anos.

Para aliados de Lula, a relação com os Estados Unidos representa o maior desafio da próxima administração. Sob o comando de Trump, os EUA adotaram uma política de segurança nacional que considera a América Latina uma região estratégica para seus interesses no Hemisfério Ocidental.

A Estratégia Nacional de Defesa dos Estados Unidos reforça a importância de que as nações latino-americanas respeitem e contribuam para a defesa dos interesses compartilhados, sob risco de enfrentar ações focadas que protejam os interesses americanos.

Ter aliados ideológicos na liderança de países da região é fundamental para o cumprimento dessa doutrina, segundo a visão da Casa Branca.

Atualmente, esforços para retomar negociações entre Brasil e Estados Unidos acontecem após o aumento tarifário aplicado em julho. Essa reaproximação ocorreu após uma conversa direta entre Lula e Trump, embora a administração americana seja vista como volátil e imprevisível, dificultando o diálogo.

As eleições colocam a política externa no centro dos debates, com candidatos destacando temas como soberania, exploração de terras raras e combate ao crime nas fronteiras. Em julho, a participação do presidente argentino Javier Milei na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro gerou ofensas ao presidente brasileiro, agravando as relações diplomáticas entre os países.

Também cresce a preocupação com possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro. Recentemente, o governo Lula negou o visto a dois auxiliares de Trump que planejavam vir ao Brasil para lançar dúvidas sobre o pleito.

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