Estatais federais mostram rombo de R$ 8,3 bilhões no início de 2026
As empresas estatais federais registraram um déficit total de R$ 8,3 bilhões entre janeiro e julho de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) no Boletim de Estatísticas Fiscais.
Em julho, o déficit das estatais federais foi de R$ 476 milhões, valor menor quando comparado ao mesmo mês dos anos anteriores, que apresentaram rombos de R$ 538 milhões em 2024 e R$ 1,62 bilhão em 2025.
No conjunto dos entes, o déficit em julho somou R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 476 milhões nas empresas federais, R$ 653 milhões nas estaduais e um superávit de R$ 18 milhões nas municipais.
O déficit significa que as despesas superam as receitas, enquanto o superávit indica o contrário.
O resultado negativo acumulado pelas estatais federais está concentrado principalmente nos primeiros meses do ano, com destaque para janeiro, que registrou um rombo de R$ 3,33 bilhões, refletindo forte pressão fiscal no início de 2026.
De acordo com o BC, o indicador apura dados somente das empresas estatais federais menores, não incluindo grandes companhias como Petrobras e Eletrobras, o que ressalta a situação financeira mais frágil dessas organizações.
Entre as estatais com dificuldades financeiras destaca-se a empresa Correios, que finalizou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro semestre de 2026, os Correios acumularam um déficit de quase R$ 5,6 bilhões, representando uma alta de 30,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A empresa realizou, em 2025, um empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pela União e está em negociação avançada para uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões, também com aval da União.
Os ministérios do Planejamento, Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e Comunicação anunciaram aporte de R$ 6 bilhões nos Correios previsto para 2027, que constará no Projeto de Lei Orçamentária Anual a ser enviado ao Congresso Nacional.
Os custos operacionais da empresa no primeiro semestre totalizaram R$ 7,6 bilhões, valor 14% inferior ao orçado, com destaque para redução de 4% nos gastos com pessoal devido ao Plano de Demissão Voluntária. O EBITDA ficou R$ 910 milhões melhor do que o esperado.

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