Ferrogrão pode mudar a logística de Mato Grosso
A Ferrogrão tem ganhado destaque novamente na pauta de infraestrutura do Brasil e poderá entrar em uma fase decisiva em 2027 para seu desenvolvimento. Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), informou que o edital da ferrovia será enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) nas próximas semanas, com a expectativa de realização do leilão em 2024.
Este movimento acontece junto à retomada de importantes projetos ferroviários no país. Recentemente, a ANTT aprovou o edital para o Corredor Ferroviário Minas-Rio, com 733 quilômetros, que servirá de modelo para futuras concessões. Entre esses projetos, a Ferrogrão se destaca como um dos principais a avançar em breve.
Para o estado de Mato Grosso, a Ferrogrão possui um papel estratégico significativo. A ferrovia EF-170 será implantada entre Sinop, no norte do estado, e Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará. Com cerca de 933 quilômetros de extensão e dois ramais no Pará, a ferrovia visa consolidar um novo corredor de exportação pelo Arco Norte.
A ideia principal é ligar a produção agrícola do Centro-Oeste aos portos do Tapajós, possibilitando a saída por vias hidroviárias para portos como Santarém e Barcarena, fortalecendo a competitividade do agronegócio. Estudos indicam que a ferrovia poderá transportar até 52 milhões de toneladas por ano, com previsão de demanda de cerca de 33,5 milhões de toneladas em 2030, crescendo para 40,6 milhões em 2050.
Além de ser uma nova rota logística, a Ferrogrão é parte da transformação da matriz de transporte brasileira, ajudando a reduzir a dependência do transporte rodoviário, diminuindo o fluxo de caminhões na BR-163 e contribuindo para a redução das emissões de carbono.
O projeto passou por desafios judiciais e ambientais. O TCU suspendeu a análise da concessão após questionamentos sobre impactos socioambientais, consulta a povos indígenas e alterações nos estudos de viabilidade. Em maio, o Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da lei que alterou limites do Parque Nacional do Jamanxim, um ponto importante para o andamento do empreendimento, embora o licenciamento ambiental completo ainda seja necessário.
A ANTT atualizou os estudos e em dezembro de 2025 enviou a documentação revisada ao TCU, incluindo análises de custos, benefícios e mitigações ambientais. Agora, aguarda-se a avaliação do tribunal e a sequência do processo de concessão.
O impacto da Ferrogrão também afeta a BR-163, que enfrenta grande fluxo de caminhões, já que a ferrovia ainda não está em operação para absorver parte dessas cargas. Cidades como Lucas do Rio Verde se preparam para expansão e integração com outros corredores ferroviários.
Assim, a Ferrogrão representa muito mais que uma ferrovia em construção: é uma mudança estrutural para a logística do país, com potencial para aproximar o norte de Mato Grosso das decisões sobre o transporte nacional e impulsionar o agronegócio brasileiro no mercado internacional.

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