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Presidente da Conafer é investigado por compra milionária de gado, diz PF

Redação BDN
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3 min de leitura
Foto: Reprodução/Agênica Senado

A Polícia Federal descobriu uma compra de gado no valor de R$ 1,7 milhão relacionada ao presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, conhecido como “Mão Preta do INSS”.

Essa compra teria sido realizada enquanto a entidade recebia recursos oriundos de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação foi extraída da análise do celular do empresário Higor Dalle Vedove Lourenção, um dos investigados na primeira fase da Operação Sem Desconto.

O relatório foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Até o momento, 48 pessoas foram indiciadas por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

Segundo a investigação, Carlos Roberto, sua esposa Bruna Braz de Souza Santos e o cunhado Vinicius Ramos da Cruz teriam usado recursos ilegais para adquirir fazendas, veículos de luxo e rebanhos expressivos, através da Agropecuária e Mineração Lagoa Alta Ltda.

A polícia afirma que Carlos Lopes usou uma estrutura empresarial para ocultar os valores obtidos ilegalmente. O relatório destaca que o dinheiro ilícito foi lavado por meio de empresas de fachada para enriquecimento do grupo.

O STF foi solicitado a bloquear bens e apreender os animais envolvidos. As propriedades estão nos municípios mineiros de Nova Módica, Itambacuri e Jequitinhonha.

Na operação, foram apreendidos 1.487 bovinos, 33 equinos e muares, além de caminhões, veículos e equipamentos agrícolas. Devido à logística, os animais permaneceram nas fazendas sob supervisão da justiça.

O relatório aponta que o grupo relacionado à Conafer movimentou ao menos R$ 708 milhões entre 2019 e 2024. Parte dos recursos foi usada para ocultar bens de alto valor.

Dois núcleos principais operavam essa organização. Um ligado a Cícero Marcelino de Souza Santos e esposa, que receberam mais de R$ 312 milhões. O outro, composto por Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior e irmã, envolvidos na ocultação patrimonial.

A série de reportagens publicadas desde dezembro de 2023 revelou o escândalo, mostrando que a arrecadação das entidades com descontos ilegais chegou a R$ 2 bilhões em um ano.

As investigações resultaram em inquérito e a Operação Sem Desconto em 2025, que provocou a demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Carlos Roberto Ferreira Lopes está indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção e é considerado foragido. Entre os investigados, estão ex-dirigentes do INSS e um lobista conhecido como “Careca do INSS”, todos presos preventivamente.

O ministro André Mendonça deve encaminhar o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre denúncia contra os envolvidos.

A Conafer ainda não comentou o inquérito da Polícia Federal.

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