Quase 1 em cada 5 servidores públicos trabalha home office ou modelo híbrido
De acordo com dados do Ministério da Gestão e Inovação (MGI), em maio de 2026, 24% dos servidores públicos federais utilizam o teletrabalho, seja em regime integral ou híbrido.
Mais de 440 mil profissionais fazem parte do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que avalia servidores por resultados e entregas, dispensando o controle de ponto tradicional.
Segundo o MGI, a adoção do home office por órgãos fora do PGD não é autorizada. Atualmente, mais de 100 mil servidores ativos trabalham no regime remoto.
Este número considera apenas servidores civis da administração pública federal, excluindo militares e procuradores federais.
Entre os servidores em teletrabalho, 68,4% adotam o modelo híbrido, 31,1% trabalham completamente à distância, e 0,5% residem no exterior.
Comparando com dezembro de 2024, quando 19% dos servidores já atuavam em teletrabalho parcial ou integral, houve aumento de 4% no número de trabalhadores remotos.
Naquele período, 12,16% dos servidores estavam em teletrabalho parcial, número que subiu para 16,5% em maio de 2026. O teletrabalho integral manteve-se estável em cerca de 7%.
O PGD é um modelo baseado em planejamento, acompanhamento e avaliação de resultados, aplicado atualmente em 189 órgãos e entidades da administração pública federal, com mais de 140 mil participantes.
Vale destacar que, entre os servidores do PGD, apenas 39,6 mil trabalham presencialmente.
Órgãos com maior adesão ao trabalho remoto
- Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC): 95,2%
- Agência Nacional de Saúde (ANS): 90,8%
- Agência Nacional de Cinema (Ancine): 89,3%
- Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP): 88,2%
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM): 84,4%
Como funciona o Programa de Gestão e Desempenho (PGD)
O PGD substitui o controle de jornada tradicional pelo foco em metas, entregas e resultados dos servidores.
Instituído na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o programa avalia o trabalho com base na qualidade e efetividade das tarefas realizadas.
O programa contempla modalidades presencial, teletrabalho parcial e integral, buscando melhorar a eficiência, inovação e alinhamento às estratégias dos órgãos públicos.
Podem participar servidores efetivos, comissionados, empregados públicos, temporários e estagiários, seguindo as regras de cada órgão.
Proposta de reforma administrativa
Um projeto de reforma administrativa apresentado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) propõe regras mais rígidas para o uso do home office no serviço público federal.
A proposta limita o teletrabalho a, no máximo, 20% dos servidores de cada órgão e condiciona sua adoção ao cumprimento de metas e indicadores de desempenho.
O texto ainda prevê que a maioria das equipes mantenha trabalho presencial para garantir a continuidade dos serviços públicos e evitar desigualdades entre áreas.
Embora faça parte de tentativas de modernização do Estado, o projeto não avançou no Congresso Nacional e não há previsão de votação no curto prazo devido à falta de consenso político.
Principais pontos da proposta
- Limitação do teletrabalho a 20% dos servidores por órgão;
- Restrição do home office a um dia por semana para a maioria dos funcionários;
- Manutenção de pelo menos 80% da equipe em trabalho presencial diariamente;
- Adesão condicionada a metas de desempenho e produtividade;
- Maior controle e monitoramento das entregas;
- Presença obrigatória para cargos estratégicos.

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