Soja R$ 157,42 ▲ 0,01%Milho R$ 64,73 ▼ -0,22%Boi gordo R$ 389,05 ▲ 0,71%

Brasil

Renan Santos critica Flávio por liderar oposição dos EUA

Redação BDN
Redação BDN

Publicado em

3 min de leitura

O ex-candidato à Presidência, Renan Santos, criticou nesta quarta-feira (28/10) a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de liderar a oposição ao governo brasileiro a partir dos Estados Unidos. Segundo Renan, essa postura não ajuda o país e parece ser uma tentativa de confrontar o governo do presidente Lula à distância.

Renan afirmou: “Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha nada com essa oposição à distância, feita dos Estados Unidos para atender, no fundo, a interesses americanos. Eu estou aqui e vou lutar daqui, assumindo as consequências das minhas ações.”

Após chegar a Miami, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, novamente questiona a lisura das eleições e afirmou estar em exílio. Ele também agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao povo dos Estados Unidos, a quem chamou de irmãos.

Renan ressaltou que quem acredita em uma causa deve defendê-la em seu próprio país. “Ele escolheu não lutar aqui, e é importante dizer que quando se acredita em algo, é preciso lutar na sua terra. Ele não quis lutar aqui, a nossa terra não foi boa o suficiente para ele e agora vai atuar direto da Flórida”, declarou.

O ex-candidato comparou a postura de Flávio com a do político venezuelano Juan Guaidó, que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019 como oposição ao governo de Nicolás Maduro. No entanto, disse que o contexto é diferente, pois o partido de Flávio, o PL, segue ativo e funcionando normalmente no Brasil.

“Ele está tentando copiar o que Juan Guaidó fez em protesto contra o regime de Maduro, mas ele próprio faz parte de um regime que está firme. O PL está aqui, funcionando, seus membros recebem salário normalmente, e as eleições foram reconhecidas pela maioria dos países”, explicou.

Renan também apontou uma contradição na crítica de Flávio ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que foi advogado do presidente Lula. Ele lembrou que o senador apoiou a indicação de Zanin durante a sabatina no Senado.

“Zanin foi advogado do Lula e teve o apoio de Flávio na sabatina. Agora ele está reclamando? Isso não faz sentido”, questionou.

Renan questionou também a fidelidade do apoio de Donald Trump a Flávio. Para ele, o ex-presidente norte-americano foca nos interesses comerciais e pode abandonar o senador caso ele se torne um problema para os negócios dos EUA no Brasil.

“Trump não tem amigos, apenas parceiros de negócios. Se Flávio se tornar um problema ou fracassar, Trump vai se livrar dele rapidamente”, afirmou.

Apesar das críticas, Renan disse não acreditar que a atitude de Flávio represente um risco à democracia brasileira. Porém, considera ineficaz a atuação política do senador feita do exterior.

Nas eleições, Flávio foi derrotado no segundo turno com 48,21% dos votos; o presidente Lula obteve 51,79%. O resultado foi reconhecido pela oposição, incluindo o PL e o candidato a vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar, assim como pelo Tribunal Superior Eleitoral e lideranças internacionais.

Compartilhe esta notícia

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Comentários passam por moderação.