Faturamento do agro brasileiro cresce apesar de desafios globais
O agronegócio brasileiro continua avançando na produção e nas exportações, mesmo enfrentando dificuldades causadas por tensões geopolíticas internacionais. Essas tensões têm gerado instabilidade nos preços do petróleo e aumento nos custos de produção.
A safra de grãos 2025/26 alcançou um novo recorde no Brasil. A colheita de café da temporada 2026/27 também promete ser recorde, apesar de uma possível queda na qualidade em algumas regiões devido ao clima chuvoso. A produção de cana-de-açúcar apresenta rendimento satisfatório.
Entretanto, os maiores obstáculos para as exportações do agronegócio em 2026 são o aumento dos custos de frete, problemas logísticos globais – como a interrupção do tráfego naval no Estreito de Ormuz – e as políticas tarifárias dos Estados Unidos.
Mesmo assim, no primeiro semestre de 2026, o faturamento do setor com vendas externas chegou a US$ 87 bilhões, registrando crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado foi impulsionado principalmente pelas vendas para China, Índia, União Europeia e países do Golfo. As vendas para Emirados Árabes Unidos e Iraque recuaram, assim como para os Estados Unidos, que tiveram queda de 25% na receita.
O volume exportado aumentou 7,5%, enquanto o preço médio em dólar caiu 1,2%. Os produtos que mais cresceram em volume foram: óleo de soja (+30%), milho (+22%), carne bovina (+15%), carne suína (+10%), carne de frango (+14%), algodão (+21%), soja em grão (+7%) e farelo de soja (+11%).
China como principal destino
As exportações para a China cresceram 10% no primeiro semestre de 2026, representando 35% do faturamento total do agronegócio brasileiro no período. A China investiu mais de US$ 30 bilhões na compra de produtos brasileiros, principalmente do complexo soja, que representou 66% desse valor.
Outros produtos importantes para a China foram carne bovina in natura (53% das exportações totais), celulose (48%) e carne suína (8%). O complexo da soja, carnes e produtos florestais somam mais de 90% das vendas brasileiras para o país.
O setor brasileiro está atento às cotas de importação aplicadas pela China à carne bovina e às restrições da União Europeia sobre agentes antimicrobianos, que podem afetar significativamente as exportações.
Perspectivas para o segundo semestre
Para os próximos meses, espera-se que a oferta de produtos agropecuários se mantenha em bons níveis, apesar das condições climáticas variáveis e dos conflitos no Irã e na Ucrânia. O setor permanece vigilante diante dos desafios globais e busca fortalecer sua presença no mercado internacional.

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