PF identifica saques suspeitos de R$ 15,6 milhões em contas do presidente do TCE-MT
A Polícia Federal identificou 150 saques que somam R$ 15,6 milhões em contas do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida. Desse valor, R$ 15,4 milhões foram retirados diretamente no caixa de uma agência bancária localizada dentro do próprio Tribunal.
A investigação, autorizada pelo ministro Og Fernandes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), resultou em seis prisões preventivas e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Entre os presos estão Sérgio Ricardo, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia (consultor jurídico-geral do TCE-MT), Felipe José Glinke (servidor do tribunal), Adriangelo Barros Antunes (ex-cunhado do presidente e também servidor), Roseli Loss (secretária executiva do TCE-MT) e Gustavo Fernandes da Silva. Os conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar foram afastados e tiveram mandados cumpridos, assim como o conselheiro aposentado Valter Albano.
A análise do caso revelou movimentações bancárias atípicas, incluindo saques em dinheiro vivo feitos com frequência e de grandes valores, como R$ 200 mil e R$ 340 mil em datas recentes. A investigação também mostrou que alguns desses saques exigiam um provisionamento prévio do dinheiro no banco, indicando a necessidade de preparo para as retiradas.
Imagens obtidas dentro da agência mostraram Roseli Loss em várias operações de retirada e entrega de dinheiro, que totalizaram cerca de R$ 3,5 milhões. Parte desse dinheiro teria sido entregue ao Adriangelo Barros Antunes.
Além disso, os registros indicam que o TCE-MT realizou pagamentos ao presidente do tribunal, que somam R$ 15,4 milhões, divididos entre ordens bancárias, pagamentos a fornecedores e salários. A investigação busca esclarecer a origem, finalidade e destino desses recursos, bem como a relação entre os pagamentos e os saques realizados.
A Polícia Federal também apura possíveis pressões sobre fornecedores por meio de suspensão de contratos e tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos. As suspeitas abrangem crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O ministro Og Fernandes ressaltou que as prisões preventivas foram autorizadas devido ao volume e à frequência dos saques, além do risco de continuidade das práticas. Ele reforçou que as medidas cautelares não indicam condenação e que os investigados devem ser considerados inocentes até julgamento final.
A investigação segue em andamento para esclarecer todos os fatos relacionados aos saques e pagamentos.

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